Guia de Argumentação
Pelos Animais

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As 12 famílias

Argumentos parecidos erram de modo parecido. Cada família reúne objeções com a mesma pergunta de fundo e o mesmo tipo de erro dominante.

Parte DIR: argumentos diretos

Parte IND: argumentos indiretos

Sobre os argumentos indiretos

Os argumentos indiretos não discutem se é certo explorar os animais. Discutem saúde, ambiente, economia, praticidade ou a credibilidade de quem defende o veganismo. Muitos ativistas e filósofos dos direitos animais contestam o uso desse tipo de argumento na defesa dos animais, porque ele escapa do que é importante: o respeito aos próprios animais.

Outros movimentos sociais não se apoiam em argumentos indiretos para defender humanos. Quem luta pelos direitos de minorias e de pessoas prejudicadas não precisa provar que tratá-las com justiça é bom para o meio ambiente, para a saúde ou para a economia: o fato de serem prejudicadas já basta como razão. Mesmo assim, o veganismo é muitas vezes defendido com argumentos de saúde ou de ambiente, como se o fim da exploração animal não fosse razão suficiente por si.

Os argumentos indiretos são úteis no plano dos fatos: mostram que uma objeção prática é falsa, que a vida vegana é saudável e possível, que a pecuária causa danos. Mas não justificam, sozinhos, a moralidade de respeitar os animais. E podem até puxar para o lado oposto: couro "sustentável", caça "sustentável", carne orgânica, criação de insetos e animais geneticamente modificados são defendidos em nome do ambiente e mantêm ou aumentam a exploração (H13). Por isso, cada capítulo da Parte IND responde no terreno do argumento, corrige os fatos e devolve a conversa à pergunta moral.

Quando saúde, proteína ou ambiente são usados para justificar comer animais, o raciocínio costuma falhar em dois planos. No dos fatos, porque as premissas muitas vezes são falsas: uma alimentação vegetal bem planejada supre as necessidades e causa menos dano ambiental. No moral, porque dá um salto do que é para o que deve ser, a passagem que os filósofos chamam de falácia do é-deve: mesmo que comer animais trouxesse algum benefício, isso não mostraria que é justo fazê-los sofrer e morrer para obtê-lo. Mostrar os fatos é sempre necessário; parar neles, nunca é suficiente.