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"Se um cão e uma criança se afogassem, quem você salvaria?"
a maioria de nós salvaria a criança, e isso não autoriza nada sobre o cão fora do afogamento. Escolher quem salvar num conflito trágico não dá permissão para explorar quem não está em conflito. Quem salvaria o próprio filho em vez de um estranho não tem, por isso, o direito de usar estranhos. A pergunta mede preferências em emergências, e não direitos no cotidiano.
Resposta curta
Eu provavelmente salvaria a criança, assim como muita gente salvaria o próprio filho em vez de um estranho. Mas ninguém conclui daí que pode usar estranhos. Escolher quem salvar quando não dá para salvar todos não dá permissão para machucar quem não está em perigo. Comer carne não é um dilema trágico: é uma escolha que pode ser feita sem sacrificar ninguém.
Para crianças
Se dois amigos caíssem na piscina e você só pudesse ajudar um, talvez escolhesse seu melhor amigo. Isso quer dizer que pode empurrar o outro amigo na piscina num dia normal? Claro que não! Escolher quem ajudar numa emergência não dá o direito de machucar ninguém depois.
"Se você salvaria seu filho em vez de um estranho, isso te dá o direito de explorar estranhos?"
Como pode aparecer
"Se um cão e uma criança se afogassem, quem você salvaria?"
"Sua mãe ou uma vaca?"
"Salvaria seu cachorro ou um estranho?"
"Prédio pegando fogo: um bebê ou dez cachorros?"
"Os casos de bote salva-vidas mostram a prioridade humana."
"É natural priorizar os nossos." (que é A13)
A versão mais forte
"Sua mãe ou uma vaca? Salvaria seu cachorro ou um estranho?"
Versão mais forte (steelman):
- P1Num conflito em que só um pode ser salvo, quase todos salvariam o humano.
- P2Isso mostra que damos mais valor à vida humana.
- P3Se a vida humana vale mais, interesses humanos podem prevalecer sobre os dos animais.
- CLogo, podemos usar animais para nossos interesses, inclusive para comer.
P1 e P2 podem ser verdadeiras. O problema está em P3: dar mais valor a uma vida num conflito trágico não significa que qualquer interesse humano, como o sabor, prevaleça sobre a vida de um animal fora de qualquer conflito.
O argumento é válido. A solidez falha em P3, que estende a conclusão de um caso trágico para a vida comum.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento passa de um dilema para uma permissão geral:
Situação O que está em jogo Conclusão legítima Afogamento, só um pode ser salvo Vida contra vida Talvez prioridade ao humano Comer carne no dia a dia Vida do animal contra sabor e hábito Nenhuma prioridade justifica - b
Onde o argumento quebra
1. Dilemas não autorizam exploração.
Num incêndio, uma mãe salvaria o próprio filho antes de um estranho. Isso não lhe dá o direito de explorar estranhos em situações normais.
2. O cotidiano não é um dilema.
Comer carne não é escolher entre a vida de um humano e a de um animal. É escolher entre a vida do animal e um prato diferente.
3. A preferência também vale entre humanos.
Muita gente salvaria o próprio cão em vez de um estranho. Se a preferência num dilema desse permissão, essas pessoas poderiam usar estranhos. Ninguém aceita isso.
4. A pergunta pressupõe que o animal importa.
Só faz sentido perguntar quem salvar se os dois tiverem valor. O dilema confirma que salvar o cão também seria bom.
5. O caso é usado para mudar de assunto.
O debate é sobre causar dano a quem não precisa ser prejudicado, e não sobre quem salvar quando não dá para salvar todos.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Francione, *Introduction to Animal Rights* (2000) Analisa o "dilema do incêndio" e mostra que a prioridade num conflito não justifica a exploração Temple University Press Regan, *The Case for Animal Rights* (1983) Discute o caso do bote salva-vidas e limita sua conclusão a situações excepcionais University of California Press - d
A melhor réplica: se a vida humana vale mais, os interesses humanos também
A versão mais séria diz que, se a vida humana vale mais que a animal, então interesses humanos importantes, como alimentação e saúde, também devem valer mais que os interesses animais.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
O interesse humano em jogo é pequeno.
Para quem tem alternativas, comer carne não protege a vida nem a saúde, apenas o sabor e o hábito (J11).
Valer mais não é valer tudo.
Mesmo que a vida humana valha mais, isso não torna sem valor a vida do animal.
Entre humanos, a mesma lógica é rejeitada.
Que eu valorize mais minha família não me autoriza a sacrificar estranhos por conveniência.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Generalização do acidente
Falsa analogia
Moral
O critério é coerente?
Prioridade tratada como permissão
Vieses
Raciocínio motivado
O dilema serve para evitar a pergunta sobre o cotidiano
Literatura geral sobre cognição motivada
Extrapolações
O princípio testado é: "se eu salvaria A antes de B, posso usar B em favor de A".
Se valesse para…Filho e estranhoToque para ver
Pais poderiam explorar estranhos em favor dos filhos
Ninguém aceita
Se valesse para…Cão próprio e estranhoToque para ver
Quem salvaria o próprio cão poderia usar estranhos
Ninguém aceita
Se valesse para…Jovem e idosoToque para ver
Se salvamos o jovem primeiro, poderíamos usar idosos
Ninguém aceita
Contradições
Preferir a família não autoriza explorar estranhos.
O que mostra que a vida do cão importa.
O prato não é um afogamento.
O que o argumento acerta
O que é verdade
O dilema toca em algo real: em situações trágicas, a maioria das pessoas prioriza humanos, e essa intuição merece ser levada a sério. Defensores dos animais não precisam fingir que salvariam o cão em vez da criança.
Mas
Mas um dilema trágico é, por definição, uma exceção. Ele diz o que fazer quando não dá para salvar todos, e não o que fazer quando não há ninguém para salvar, apenas um prato para escolher.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois
Aprofunde no Questão de Ética
Capítulos da coleção Uma Jornada pela Ética Animal, em acesso aberto, que discutem este argumento com mais detalhe:
Referências
Filosofia
- Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog?
- The Case for Animal Rights.