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"E numa ilha deserta, você comeria um animal?"
talvez sim, e isso não muda nada. Uma situação extrema de sobrevivência não justifica a prática em condições normais. Também aceitamos que alguém faminto furte comida, e ninguém conclui que furtar é aceitável no dia a dia. O caso hipotético mostra apenas que a necessidade real pode justificar exceções, e a maioria de quem pergunta não está numa ilha.
Resposta curta
Talvez eu comesse, assim como uma pessoa faminta pode furtar comida, e ninguém conclui que furtar é aceitável no dia a dia. Necessidades extremas podem justificar exceções; não justificam a prática quando não há necessidade. Nenhum de nós está numa ilha deserta: estamos perto de mercados cheios de alternativas. A pergunta não é o que eu faria para sobreviver, e sim o que faço quando não preciso.
Para crianças
Se você estivesse perdido numa floresta, sem nada para comer, talvez precisasse fazer coisas que normalmente não faria. Mas isso não quer dizer que pode fazer essas coisas todo dia, quando está em casa com a geladeira cheia. Uma emergência é diferente da vida normal.
"Você está numa ilha deserta agora, ou num lugar com mercado?"
Como pode aparecer
"E numa ilha deserta, você comeria um animal?"
"E se estivesse morrendo de fome?"
"Num apocalipse você comeria."
"Todo vegano vira carnívoro na primeira fome."
"Você deixaria seu filho morrer de fome?"
"Se a regra admite exceções, ela não é absoluta."
"Povos indígenas e tradicionais comem animais." (que é D3)
A versão mais forte
"E se estivesse morrendo de fome? Num apocalipse você comeria."
Versão mais forte (steelman):
- P1Numa situação de fome extrema, até um vegano comeria um animal para sobreviver.
- P2Se comer um animal é aceitável em algum caso, então não é errado em si.
- P3O que não é errado em si depende só das circunstâncias e da escolha pessoal.
- CLogo, comer animais é aceitável, e o veganismo é uma preferência.
P1 pode ser verdadeira. O problema está em P2 e P3: quase nenhuma regra moral é absoluta, e o fato de haver exceções extremas não torna a prática aceitável em condições normais.
O argumento é válido. A solidez falha em P3, que trata "pode ser justificado em casos extremos" como "pode ser feito sempre".
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento usa um caso extremo para concluir sobre o caso comum:
Situação Há necessidade? O que a moral permite Ilha deserta, fome extrema Sim Talvez uma exceção Supermercado com alternativas Não A regra geral: não causar dano desnecessário - b
Onde o argumento quebra
1. Exceções não anulam regras.
Quase toda regra moral admite exceções extremas: matar em legítima defesa, furtar para não morrer de fome, mentir para salvar uma vida. Ninguém conclui que matar, furtar ou mentir são aceitáveis em geral.
2. O veganismo já prevê a necessidade.
A definição clássica fala em evitar a exploração "na medida do possível e praticável" (D3). Na ilha, comer um animal pode estar fora do possível.
3. O caso extremo confirma o princípio.
Se só a fome extrema justifica comer um animal, então em condições normais, sem essa necessidade, não há justificativa.
4. A pergunta muda o foco.
O debate é sobre o que fazemos todos os dias, e não sobre o que faríamos num naufrágio.
5. Situações extremas justificariam até mais.
Em casos reais de sobrevivência, pessoas já recorreram a soluções extremas, inclusive com humanos mortos. Ninguém tira daí uma regra para a vida normal.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação The Vegan Society, definição de veganismo O veganismo busca excluir a exploração "na medida do possível e praticável" A exceção por necessidade já está na definição - d
A melhor réplica: o veganismo não é absoluto, então é preferência
A versão mais séria diz que, se o vegano admite comer animais em algum caso, ele concorda que a questão depende de circunstâncias, e então cada um pode avaliar as suas.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Depender de circunstâncias não é ser preferência.
A proibição de matar também depende de circunstâncias (legítima defesa), e não é uma preferência.
As circunstâncias relevantes são objetivas.
Fome extrema é uma necessidade real; gostar do sabor não é.
A pessoa não está na circunstância excepcional.
O que vale na ilha não vale no supermercado.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Generalização do acidente
Falso dilema
Epistemológico
A evidência sustenta?
Caso irrelevante
Moral
O critério é coerente?
Necessidade inventada
Vieses
Raciocínio motivado
Um caso extremo serve para dispensar a mudança no caso comum
Literatura geral sobre cognição motivada
Extrapolações
O princípio testado é: "se algo é permitido numa emergência, é permitido sempre".
Se valesse para…Furto por fomeToque para ver
Furtar seria aceitável sempre
Ninguém aceita
Se valesse para…Legítima defesaToque para ver
Matar seria aceitável sempre
Ninguém aceita
Se valesse para…Avançar um sinal vermelho para levar alguém ao hospitalToque para ver
Seria aceitável avançar sempre
Ninguém aceita
Contradições
Legítima defesa não torna o homicídio aceitável.
A pergunta descreve uma situação que não é a sua.
Inclusive coisas que nunca comeria em casa.
O que o argumento acerta
O que é verdade
O caso hipotético tem um ponto legítimo: o veganismo não é uma regra absoluta e cega, e a necessidade real muda o que é moralmente exigível. É honesto reconhecer isso, e defensores dos animais não precisam fingir que deixariam alguém morrer de fome por princípio.
Mas
Mas é justamente por isso que o argumento não funciona. Se só a necessidade extrema justifica comer animais, então, na vida comum, sem essa necessidade, a justificativa desaparece.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois
Aprofunde no Questão de Ética
Capítulos da coleção Uma Jornada pela Ética Animal, em acesso aberto, que discutem este argumento com mais detalhe: