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"Ninguém é perfeito, faço o que posso."
a frase é verdadeira em geral, e muitas vezes usada para não fazer o que é fácil. Ninguém precisa ser perfeito, mas trocar o que se come é uma das mudanças mais acessíveis que alguém pode fazer pelos animais. "Faço o que posso" só funciona como resposta se a pessoa de fato estiver fazendo o que pode.
Resposta curta
Ninguém precisa ser perfeito, e o veganismo não pede isso. Mas "faço o que posso" só vale se a pessoa estiver fazendo o que pode. Para a maioria de quem tem acesso a mercados, trocar o que come é uma das mudanças mais fáceis e com mais impacto que existem. Reciclar é bom, mas não compensa os animais que morrem pelo que se come. Não fazer tudo não justifica não fazer o que é simples.
Para crianças
Ninguém precisa ser perfeito, e todo mundo erra. Mas imagine um amigo que diz: "não consigo parar de empurrar você, ninguém é perfeito". Na verdade, ele consegue: é fácil parar! Quando algo é possível e ajuda muito, "ninguém é perfeito" não serve de desculpa.
"Deixar de comer animais está fora do que você consegue, ou é só algo que você ainda não quis fazer?"
Como pode aparecer
"Faço a minha parte."
"Cada um no seu ritmo."
"Pelo menos eu reciclo."
"Ninguém é perfeito."
"Veganos também usam celular com minério."
"O veganismo não é 100% livre de crueldade." (que é L5)
A versão mais forte
"Faço a minha parte. Cada um no seu ritmo. Pelo menos eu reciclo."
Versão mais forte (steelman):
- P1Ninguém consegue viver sem causar nenhum dano.
- P2Exigir perfeição moral é irrealista e paralisante.
- P3Cada pessoa tem limites, prioridades e circunstâncias diferentes.
- CLogo, não se pode exigir que alguém deixe de comer animais; basta que cada um faça o que pode.
P1, P2 e P3 são verdadeiras. O problema está na conclusão: o fato de não se poder exigir tudo não significa que não se possa pedir nada, e deixar de comer animais costuma estar entre o que a pessoa pode.
O argumento é válido se "o que pode" for entendido honestamente. Falha quando a frase é usada para não fazer aquilo que a própria pessoa conseguiria fazer.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
A frase pode ser usada de duas formas:
Uso O que significa É legítimo? Honesto "Tenho limites reais e faço o que está ao meu alcance" Sim Evasivo "Como não posso fazer tudo, não preciso fazer o que posso" Não O teste é simples: a pessoa está deixando de comer animais por falta de condições ou por falta de vontade?
- b
Onde o argumento quebra
1. Ninguém pede perfeição.
A definição clássica de veganismo fala em evitar a exploração "na medida do possível e praticável" (D3). A exigência é de esforço razoável, e não de pureza.
2. A mudança na alimentação é acessível.
Para a maioria das pessoas com acesso a mercados, trocar a carne por feijão, lentilha, grão-de-bico, tofu e outros alimentos é possível no dia a dia (J1).
3. Outras boas ações não compensam.
Reciclar, doar ou cuidar de um cão são boas ações, mas não desfazem o dano causado a outros animais. Não é uma conta de créditos e débitos.
4. "Cada um no seu ritmo" é razoável quando há ritmo.
Se a mudança está em andamento, o ritmo importa. Se não há mudança, a frase descreve uma decisão de não mudar (E12).
5. Imperfeição em uns pontos não autoriza dano em outros.
O fato de que é impossível evitar todo dano não torna aceitável o dano facilmente evitável.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação The Vegan Society, definição de veganismo O veganismo busca excluir a exploração "na medida do possível e praticável" Mostra que a exigência não é de perfeição Academy of Nutrition and Dietetics, 2016 Dietas veganas bem planejadas são adequadas em todas as fases da vida Mostra que a mudança é viável - d
A melhor réplica: as pessoas têm prioridades diferentes
A versão mais séria diz que cada pessoa escolhe suas causas: uma se dedica ao meio ambiente, outra à pobreza, outra aos animais. Exigir de todos a mesma causa seria injusto.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Não causar dano não é uma causa, é um limite.
Ninguém pode escolher outra causa como desculpa para agredir alguém.
Escolher causas vale para ajudar, e não para não prejudicar.
Ninguém é obrigado a se dedicar aos animais; mas pagar para que sejam mortos é outra coisa.
As causas não competem.
Mudar a alimentação não impede de se dedicar a outras causas.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Falácia do nirvana
Licença moral
Epistemológico
A evidência sustenta?
Superestimação da dificuldade
Moral
O critério é coerente?
Confusão entre ajudar e não prejudicar
Vieses
Licença moral
Ações virtuosas em uma área parecem compensar outras
Literatura sobre licenciamento moral
Extrapolações
O princípio testado é: "como ninguém é perfeito, ninguém pode ser cobrado".
Se valesse para…Motorista imprudenteToque para ver
Não poderia ser cobrado por dirigir rápido, porque ninguém é perfeito
Ninguém aceita
Se valesse para…Empresa que poluiToque para ver
Bastaria dizer que recicla papel
Ninguém aceita
Se valesse para…Quem maltrata animais domésticosToque para ver
Bastaria lembrar que ninguém é perfeito
Ninguém aceita
Contradições
Ninguém aceita ser prejudicado por quem "faz o que pode".
Exercícios, trabalho e estudos exigem esforço.
O que mostra que a mudança está ao alcance.
O que o argumento acerta
O que é verdade
É verdade que ninguém é perfeito, que exigir pureza afasta as pessoas, e que cada um tem limites reais. Há pessoas que enfrentam dificuldades genuínas para mudar a alimentação, e é preciso compreensão com elas. Celebrar cada passo também ajuda mais do que condenar.
Mas
Mas "faço o que posso" é uma promessa, e não uma desculpa. Ela só se cumpre quando a pessoa de fato faz o que pode, e para a maioria, isso inclui deixar os animais fora do prato.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois