Guia de Argumentação
Pelos Animais

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E6

"Ninguém é perfeito, faço o que posso."

A resposta em uma frase

a frase é verdadeira em geral, e muitas vezes usada para não fazer o que é fácil. Ninguém precisa ser perfeito, mas trocar o que se come é uma das mudanças mais acessíveis que alguém pode fazer pelos animais. "Faço o que posso" só funciona como resposta se a pessoa de fato estiver fazendo o que pode.

Resposta curta

Ninguém precisa ser perfeito, e o veganismo não pede isso. Mas "faço o que posso" só vale se a pessoa estiver fazendo o que pode. Para a maioria de quem tem acesso a mercados, trocar o que come é uma das mudanças mais fáceis e com mais impacto que existem. Reciclar é bom, mas não compensa os animais que morrem pelo que se come. Não fazer tudo não justifica não fazer o que é simples.

Para crianças

Ninguém precisa ser perfeito, e todo mundo erra. Mas imagine um amigo que diz: "não consigo parar de empurrar você, ninguém é perfeito". Na verdade, ele consegue: é fácil parar! Quando algo é possível e ajuda muito, "ninguém é perfeito" não serve de desculpa.

Devolva com uma pergunta

"Deixar de comer animais está fora do que você consegue, ou é só algo que você ainda não quis fazer?"

Como pode aparecer

"Faço a minha parte."
Conversa cotidiana
"Cada um no seu ritmo."
Conversa cotidiana
"Pelo menos eu reciclo."
Conversa cotidiana
"Ninguém é perfeito."
Conversa cotidiana
"Veganos também usam celular com minério."
Redes sociais
"O veganismo não é 100% livre de crueldade." (que é L5)
Versão disfarçada

A versão mais forte

Como se diz

"Faço a minha parte. Cada um no seu ritmo. Pelo menos eu reciclo."

Versão mais forte (steelman):

  1. P1Ninguém consegue viver sem causar nenhum dano.
  2. P2Exigir perfeição moral é irrealista e paralisante.
  3. P3Cada pessoa tem limites, prioridades e circunstâncias diferentes.
  4. CLogo, não se pode exigir que alguém deixe de comer animais; basta que cada um faça o que pode.

P1, P2 e P3 são verdadeiras. O problema está na conclusão: o fato de não se poder exigir tudo não significa que não se possa pedir nada, e deixar de comer animais costuma estar entre o que a pessoa pode.

O argumento é válido se "o que pode" for entendido honestamente. Falha quando a frase é usada para não fazer aquilo que a própria pessoa conseguiria fazer.

Resposta completa

  1. a

    Reconstrução e diagnóstico

    A frase pode ser usada de duas formas:

    UsoO que significaÉ legítimo?
    Honesto"Tenho limites reais e faço o que está ao meu alcance"Sim
    Evasivo"Como não posso fazer tudo, não preciso fazer o que posso"Não

    O teste é simples: a pessoa está deixando de comer animais por falta de condições ou por falta de vontade?

  2. b

    Onde o argumento quebra

    1. Ninguém pede perfeição.

    A definição clássica de veganismo fala em evitar a exploração "na medida do possível e praticável" (D3). A exigência é de esforço razoável, e não de pureza.

    2. A mudança na alimentação é acessível.

    Para a maioria das pessoas com acesso a mercados, trocar a carne por feijão, lentilha, grão-de-bico, tofu e outros alimentos é possível no dia a dia (J1).

    3. Outras boas ações não compensam.

    Reciclar, doar ou cuidar de um cão são boas ações, mas não desfazem o dano causado a outros animais. Não é uma conta de créditos e débitos.

    4. "Cada um no seu ritmo" é razoável quando há ritmo.

    Se a mudança está em andamento, o ritmo importa. Se não há mudança, a frase descreve uma decisão de não mudar (E12).

    5. Imperfeição em uns pontos não autoriza dano em outros.

    O fato de que é impossível evitar todo dano não torna aceitável o dano facilmente evitável.

  3. c

    Dados e fontes

    FonteO que dizObservação
    The Vegan Society, definição de veganismoO veganismo busca excluir a exploração "na medida do possível e praticável"Mostra que a exigência não é de perfeição
    Academy of Nutrition and Dietetics, 2016Dietas veganas bem planejadas são adequadas em todas as fases da vidaMostra que a mudança é viável
  4. d

    A melhor réplica: as pessoas têm prioridades diferentes

    A versão mais séria diz que cada pessoa escolhe suas causas: uma se dedica ao meio ambiente, outra à pobreza, outra aos animais. Exigir de todos a mesma causa seria injusto.

  5. e

    Por que a réplica não chega à conclusão

    Não causar dano não é uma causa, é um limite.

    Ninguém pode escolher outra causa como desculpa para agredir alguém.

    Escolher causas vale para ajudar, e não para não prejudicar.

    Ninguém é obrigado a se dedicar aos animais; mas pagar para que sejam mortos é outra coisa.

    As causas não competem.

    Mudar a alimentação não impede de se dedicar a outras causas.

Erros de raciocínio

Lógico

A forma é válida?

Falácia do nirvana
Como a perfeição é impossível, nada precisa ser feito
Licença moral
Uma boa ação parece autorizar um dano

Epistemológico

A evidência sustenta?

Superestimação da dificuldade
Trata como impossível o que é apenas novo

Moral

O critério é coerente?

Confusão entre ajudar e não prejudicar
Usa a liberdade de escolher causas para justificar um dano

Vieses

Licença moral

Ações virtuosas em uma área parecem compensar outras

Literatura sobre licenciamento moral

Viés do status quo

A situação atual parece o máximo possível

Samuelson e Zeckhauser, 1988

Extrapolações

O princípio testado é: "como ninguém é perfeito, ninguém pode ser cobrado".

Se valesse para…Motorista imprudenteToque para ver

Não poderia ser cobrado por dirigir rápido, porque ninguém é perfeito

Ninguém aceita

Se valesse para…Empresa que poluiToque para ver

Bastaria dizer que recicla papel

Ninguém aceita

Se valesse para…Quem maltrata animais domésticosToque para ver

Bastaria lembrar que ninguém é perfeito

Ninguém aceita

Contradições

Não aceita "ninguém é perfeito" para danos contra si.

Ninguém aceita ser prejudicado por quem "faz o que pode".

Faz mudanças difíceis em outras áreas.

Exercícios, trabalho e estudos exigem esforço.

Reconhece que poderia comer menos carne.

O que mostra que a mudança está ao alcance.

O que o argumento acerta

O que é verdade

É verdade que ninguém é perfeito, que exigir pureza afasta as pessoas, e que cada um tem limites reais. Há pessoas que enfrentam dificuldades genuínas para mudar a alimentação, e é preciso compreensão com elas. Celebrar cada passo também ajuda mais do que condenar.

Mas

Mas "faço o que posso" é uma promessa, e não uma desculpa. Ela só se cumpre quando a pessoa de fato faz o que pode, e para a maioria, isso inclui deixar os animais fora do prato.