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"Tudo com moderação."
moderação é uma boa regra para coisas que só afetam quem escolhe, como doces ou horas de sono. Ela não serve para danos a terceiros: ninguém defende roubar "com moderação". O meio-termo entre causar um dano e não causar ainda é causar um dano. A posição do meio não é automaticamente a mais razoável.
Resposta curta
Moderação faz sentido para coisas que só afetam você, como doces ou café. Para danos a outros, não: ninguém defende roubar ou agredir "com moderação". O meio-termo entre causar um dano e não causar ainda é causar um dano. E não ferir alguém não é um extremo, é o ponto de partida. Comer menos carne é melhor que comer mais, mas isso não torna o que resta justificado.
Para crianças
Comer doce "com moderação" faz sentido: um pouco não faz mal para você. Mas e bater nos colegas "com moderação"? Não faz sentido, porque machucar os outros não fica certo só por ser pouco. Quando alguém é machucado, o melhor não é machucar menos: é não machucar.
"Existe alguma coisa que você acha errada de fazer, mesmo com moderação?"
Como pode aparecer
"Nem 8 nem 80."
"O segredo é o equilíbrio."
"Extremos são ruins."
"Tudo com moderação."
"Vegano é tão radical quanto quem só come carne."
"A virtude está no meio-termo."
"Eu como pouca carne, já é suficiente." (que é J12)
A versão mais forte
"Nem 8 nem 80. O segredo é o equilíbrio. Extremos são ruins."
Versão mais forte (steelman):
- P1Posições extremas tendem a ser irrealistas e a ignorar complexidades.
- P2O veganismo é uma posição extrema; comer carne sem limites também é.
- P3A virtude costuma estar no meio-termo.
- CLogo, comer carne com moderação é a posição mais razoável.
A versão forte se apoia numa ideia antiga e respeitável: Aristóteles via a virtude como meio-termo entre excessos. O problema está em P3 aplicada a este caso: o próprio Aristóteles dizia que algumas ações não têm meio-termo.
O argumento é válido. A solidez falha em P2, que chama de "extremo" o simples não causar um dano, e em P3, que não vale para danos a terceiros.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento aplica a moderação a um tipo de escolha onde ela não funciona:
Tipo de escolha Moderação faz sentido? Exemplo Afeta só quem escolhe Sim Doces, álcool, horas de tela Causa dano a outros Não: o objetivo é evitar o dano Roubo, agressão, crueldade - b
Onde o argumento quebra
1. É o falso meio-termo.
Supor que a posição do meio entre duas opções é a correta é uma falácia. O meio entre a verdade e a mentira não é uma meia-verdade aceitável.
2. Não causar um dano não é extremo.
O argumento coloca "não comer animais" e "comer animais sem limite" como dois extremos simétricos. Mas não fazer algo que prejudica outro é o ponto de partida da ética, e não um exagero.
3. A moderação é sobre quem come, e não sobre quem é comido.
Para o animal que morre, não faz diferença se quem o come é moderado.
4. Aristóteles não aplicava o meio-termo a tudo.
Na Ética a Nicômaco, Aristóteles diz que algumas ações, como o roubo e o assassinato, não admitem meio-termo: são más em si mesmas.
5. Reduzir é melhor, mas não é justificar.
Comer menos carne diminui o dano, e isso é bom (J12). Mas a parte que resta continua precisando de justificativa.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Aristóteles, *Ética a Nicômaco*, livro II A virtude é um meio-termo, mas algumas ações não admitem meio-termo Texto integral em inglês no Projeto Gutenberg; o exemplo de ações sem meio-termo, como o adultério, está no livro II - d
A melhor réplica: a moderação é mais realista
A versão mais séria não diz que a moderação é o ideal moral, mas que é o que a maioria das pessoas consegue fazer, e que pedir a abstenção total afasta as pessoas, enquanto pedir moderação gera mais redução de dano.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Ela é sobre estratégia, não sobre justificativa.
Pode ser útil defender a redução como passo; isso não torna o consumo restante certo.
Ela admite que o ideal é outro.
Se moderação é só o realista, o ideal continua sendo não causar o dano.
Para quem consegue mais, a moderação não serve de desculpa.
O realismo vale para quem tem dificuldades reais (E6).
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Falso meio-termo
Falsa simetria
Moral
O critério é coerente?
Moderação aplicada a danos
Vieses
Viés do meio-termo
Opções intermediárias parecem mais razoáveis
Literatura geral sobre escolhas e efeito de compromisso
Extrapolações
O princípio testado é: "o meio-termo entre fazer e não fazer é o mais razoável".
Se valesse para…AgressãoToque para ver
Agredir com moderação seria razoável
Ninguém aceita
Se valesse para…RacismoToque para ver
Ser racista com moderação seria equilibrado
Ninguém aceita
Se valesse para…Maus-tratos a cãesToque para ver
Maltratar um pouco seria o meio-termo
Ninguém aceita
Contradições
Ninguém defende violência moderada.
O que mostra que o critério real é a espécie.
Abolir a escravidão também era "extremo".
O que o argumento acerta
O que é verdade
A moderação é uma virtude real em muitos campos, e posições rígidas às vezes afastam as pessoas. Também é verdade que comer menos carne é melhor que comer mais, e que mudanças graduais são, para muita gente, o caminho mais realista.
Mas
Mas a moderação é uma regra para cuidar de si, e não para decidir quanto dano causar aos outros. Para quem sofre o dano, não existe meio-termo.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois
Referências
Filosofia
- Ética a Nicômaco, livro II.