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"Eu como pouca carne, já é suficiente."
comer menos carne é melhor que comer mais, e merece reconhecimento. Mas a redução não justifica o que resta: se causar a morte de um animal sem necessidade é errado, fazê-lo menos vezes é menos errado, e não certo. A redução pode ser um ótimo caminho, desde que seja caminho, e não ponto de chegada.
Resposta curta
Comer menos carne é bom, e merece reconhecimento: menos animais morrem. Mas, se matar um animal sem necessidade é errado, fazer isso menos vezes é menos errado, e não certo. A redução funciona muito bem como caminho. O problema é quando ela vira ponto de chegada e justificativa para o que resta. Para cada refeição que ainda tem carne, a pergunta continua a mesma.
Para crianças
Machucar alguém menos vezes é melhor do que machucar muitas vezes. Mas o melhor é não machucar. Comer menos carne já ajuda os animais, e é um bom começo. O próximo passo pode ser ir trocando, aos poucos, as refeições que ainda têm carne.
"Se reduzir foi bom para os animais, por que parar na redução?"
Como pode aparecer
"Só como carne no fim de semana."
"Faço segunda sem carne."
"Sou flexitariano."
"Já reduzi, não me venha com radicalismo."
"A redução é mais eficaz que a abstenção em escala populacional."
"Tudo com moderação." (que é E5)
A versão mais forte
"Só como carne no fim de semana. Faço segunda sem carne. Sou flexitariano."
Versão mais forte (steelman):
- P1Reduzir o consumo de carne diminui o número de animais mortos e os danos ambientais.
- P2Uma redução grande feita por muitas pessoas pode ter mais impacto que a abstenção total de poucas.
- P3Exigir a abstenção total afasta as pessoas.
- CLogo, comer pouca carne é suficiente.
P1 é verdadeira. P2 também, em termos de impacto agregado. P3 tem algum apoio estratégico. O problema está na conclusão: o fato de reduzir ser bom não torna o restante justificado.
O argumento é válido como argumento estratégico. Falha como justificativa moral do que resta.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento mistura dois tipos de afirmação:
Afirmação Tipo Situação Reduzir é melhor que não reduzir Comparativa Verdadeira Reduzir é suficiente Normativa Não se segue da anterior - b
Onde o argumento quebra
1. Melhor não é suficiente.
Que uma ação reduza um dano não significa que o dano restante seja aceitável.
2. A pergunta vale para cada refeição.
Cada animal morto para uma refeição restante tem o mesmo interesse em viver que os animais poupados.
3. É licença moral.
Ter feito algo bom pode levar a sentir-se autorizado a não fazer mais (E6).
4. A estratégia não muda a ética.
Pode ser bom incentivar a redução como estratégia de comunicação, mas isso não torna o restante moralmente neutro.
5. A redução já mostra que é possível.
Quem consegue ficar dias sem carne já mostrou que a carne não é necessária.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Our World in Data, menos carne ou carne sustentável Comer menos carne quase sempre reduz mais as emissões que trocar por carne "sustentável" Mostra o valor real da redução Kagan, *Do I Make a Difference?* (2011) Cada compra de carne tem efeito esperado real sobre a produção Mostra que o consumo restante também conta - d
A melhor réplica: perfeição é inimiga do bom
A versão mais séria diz que insistir na abstenção total pode desanimar pessoas que estão reduzindo, e que é melhor celebrar a redução do que criticá-la.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Celebrar não é encerrar.
É possível reconhecer o avanço e convidar ao próximo passo.
A crítica é ao argumento, e não à pessoa.
"Já é suficiente" é uma conclusão, e pode ser discutida com respeito.
A redução é o caminho mais comum para o veganismo.
Muitos veganos começaram reduzindo.
- f
De volta à questão moral
A redução reconhece, implicitamente, que comer animais tem um custo moral. Se tem, a pergunta não desaparece com a redução: ela continua valendo para cada animal que ainda está no prato.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Do comparativo ao suficiente
Moral
O critério é coerente?
Licença moral
Falso meio-termo
Vieses
Licença moral
A boa ação parece compensar o resto
Literatura sobre licenciamento moral
Extrapolações
O princípio testado é: "se reduzi um dano, o que resta é aceitável".
Se valesse para…Dirigir alcoolizadoToque para ver
Fazê-lo só nos fins de semana seria aceitável
Ninguém aceita
Se valesse para…MentirToque para ver
Mentir menos seria suficiente
Ninguém conclui isso
Se valesse para…Maus-tratos a animaisToque para ver
Maltratar só às vezes seria aceitável
Ninguém aceita
Contradições
E, portanto, que comer carne tem custo.
Em boa parte das refeições.
Como maltratar animais "só de vez em quando".
O que o argumento acerta
O que é verdade
Reduzir o consumo de carne é uma mudança real, que poupa animais e reduz danos ambientais. Quem reduziu fez algo valioso, e é justo reconhecer isso. Estrategicamente, incentivar a redução pode alcançar muitas pessoas.
Mas
Mas reduzir é um caminho, e não um lugar para parar. A mesma razão que levou à redução vale para o que ainda resta no prato.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois