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"Não quero ver esses vídeos."
recusar a informação para não sentir a obrigação é ignorância deliberada. Se a pessoa não aguenta ver o que acontece com os animais que come, o problema não está no vídeo, e sim no que ele mostra. Pesquisas mostram que parte dos consumidores evita conscientemente informações sobre a produção de carne justamente para não ter de mudar.
Resposta curta
Ninguém é obrigado a ver vídeos violentos, e o momento importa. Mas, se o que aparece é insuportável de ver, talvez seja insuportável de financiar. O problema não é o vídeo, é o que ele mostra. Pesquisas na Holanda mostraram que cerca de um quarto dos consumidores admite evitar informações sobre a produção de carne. É uma forma de não sentir a obrigação de mudar.
Para crianças
Às vezes a gente não quer ver uma coisa porque ela é triste. Isso é normal. Mas, se a gente não quer ver porque sabe que algo errado está acontecendo, fechar os olhos não faz a coisa parar. É como tapar os ouvidos quando alguém está pedindo ajuda.
"Se você não consegue ver como é feito, você se sente bem pagando para que seja feito?"
Como pode aparecer
"Não me mostra isso na hora do almoço."
"Prefiro não saber."
"Isso é terrorismo emocional."
"Vegano adora postar vídeo de abate para chocar."
"Você quer estragar minha refeição?"
"Esses vídeos são exceções ou manipulados." (que é B9)
A versão mais forte
"Não me mostra isso na hora do almoço. Prefiro não saber. Isso é terrorismo emocional."
Versão mais forte (steelman):
- P1Imagens violentas causam sofrimento a quem as vê.
- P2Ninguém é obrigado a se expor a imagens que o fazem sofrer.
- P3Usar imagens chocantes é manipulação emocional, e não argumento.
- CLogo, recusar ver os vídeos é legítimo e não diz nada sobre a questão moral.
P1 e P2 são verdadeiras em boa medida: ninguém deve ser forçado a ver cenas violentas, e o momento importa. P3 tem parte de verdade, mas ignora que as imagens mostram fatos. O problema está na conclusão: recusar ver não muda o que acontece, e quem paga pelo que acontece tem razões especiais para saber.
O argumento é válido como defesa do direito de não ser exposto a imagens. Falha quando usado para evitar saber o que se financia.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento pode significar duas coisas:
Versão O que significa É legítima? "Não agora" Não quero ver isso durante o almoço Sim, o momento importa "Nunca" Prefiro não saber como é a produção do que como Não: é evitar informação relevante para a própria escolha - b
Onde o argumento quebra
1. É ignorância deliberada.
Evitar informação para não sentir a obrigação de agir é uma estratégia conhecida. Ela não muda os fatos, apenas a percepção deles.
2. O incômodo é um sinal.
Se ver como é feito causa sofrimento, isso indica que há algo moralmente relevante no que se vê. Não sentimos isso ao ver colheitas de feijão.
3. As imagens mostram fatos.
4. Pesquisas documentam a estratégia.
Um estudo holandês de 2016 identificou um grupo de consumidores "estrategicamente ignorantes": cerca de 27% admitiram ignorar informações sobre a produção de carne. A psicologia mostra também que lembrar da ligação entre carne e sofrimento leva as pessoas a atribuir menos mente aos animais.
5. Quem paga tem razões especiais para saber.
Ninguém precisa assistir a tudo o que acontece no mundo. Mas, quando se financia algo diretamente, saber como é feito é parte de uma escolha responsável.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Onwezen e van der Weele, 2016, resumido pela Faunalytics Cerca de 27% dos consumidores holandeses admitem ignorar informações sobre a produção de carne Grupo descrito como "estrategicamente ignorante" Bastian et al., 2012 Lembrar da ligação entre carne e sofrimento leva as pessoas a negar mente aos animais Mostra a estratégia de reduzir o desconforto - d
A melhor réplica: ver não é necessário para saber
A versão mais séria diz que a pessoa já sabe, em linhas gerais, que animais morrem para virar comida, e que não precisa ver as imagens para ter essa informação. Recusar as imagens não é recusar o conhecimento.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Saber em linhas gerais não é saber como é.
Muitas pessoas se surpreendem com práticas comuns, como o descarte de pintinhos ou as celas de gestação.
Se já sabe, a pergunta continua.
A questão moral não depende de ver; depende do que se faz com o que se sabe.
A recusa costuma acompanhar a evitação de qualquer conversa.
O teste é se a pessoa aceita ao menos ler ou conversar sobre o assunto.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Ataque ao mensageiro
Epistemológico
A evidência sustenta?
Ignorância deliberada
Moral
O critério é coerente?
Fuga da responsabilidade
Vieses
Extrapolações
O princípio testado é: "se prefiro não saber, não tenho responsabilidade".
Se valesse para…Roupas feitas com trabalho escravoToque para ver
Quem não quer saber não teria responsabilidade
Ninguém aceita
Se valesse para…Maus-tratos ao cão de um vizinhoToque para ver
Bastaria não olhar
Ninguém aceita
Se valesse para…Empresas com práticas ilegaisToque para ver
Gestores poderiam evitar relatórios para não ser responsabilizados
O direito chama isso de cegueira deliberada
Contradições
Documentários, notícias de guerra, filmes violentos.
O que mostra que o problema é o conteúdo.
Sobretudo quando há suspeita de trabalho escravo.
O que o argumento acerta
O que é verdade
Ninguém deve ser obrigado a ver imagens violentas, e há momentos e formas inadequadas de mostrá-las. Ativistas que usam imagens sem cuidado podem afastar as pessoas, e o desconforto de quem vê é real.
Mas
Mas o desconforto é um sinal, e não um argumento. Se olhar para algo é insuportável, a pergunta que fica é se faz sentido continuar pagando por ele.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois
Referências
Psicologia
- Faunalytics. Meat eating and strategic ignorance (resumo de Onwezen, M. C., & van der Weele, C. N., 2016, *Food Quality and Preference*, 52).
- Don't mind meat? The denial of mind to animals used for human consumption. *Personality and Social Psychology Bulletin*, 38(2).
- The role of meat consumption in the denial of moral status and mind to meat animals. *Appetite*, 55(1).