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"Espécie é biologia, raça é construção social"
o argumento tenta mostrar que o especismo não é como o racismo, porque a espécie seria uma categoria biológica real e a raça, uma construção social. Mas ser biológico não torna um critério justo. Uma escravidão baseada na altura usaria um traço biológico e seria tão injusta quanto qualquer outra. O racismo é injusto porque trata de forma tendenciosa os interesses de alguém, e não por causa da origem do conceito de raça. O mesmo vale para o especismo.
Resposta curta
Ser biológico não torna um critério justo. Imagine escravizar pessoas pela altura: a altura é biológica, e a escravidão seria tão injusta quanto qualquer outra. O racismo é errado porque desconsidera os interesses de alguém por um traço que não muda o quanto ele pode sofrer. A espécie faz o mesmo. E, se um dia se provasse que raças existem biologicamente, o racismo continuaria errado.
Para crianças
Imagine uma escola onde as crianças mais baixinhas tivessem que carregar as mochilas das mais altas. A altura é uma coisa do corpo, é de verdade. Mesmo assim, a regra seria injusta, não seria? O que deixa uma regra injusta não é a diferença ser de verdade ou inventada. É alguém sofrer só porque nasceu diferente.
"Se a altura é biológica, uma escravidão pela altura seria justa?"
Como pode aparecer
"Raça é construção social, espécie é biologia."
"Especismo não é como racismo."
"Humano e boi são espécies diferentes. Isso é ciência, não preconceito."
"A espécie é uma categoria natural; raça e gênero não."
"Comparar pecuária com escravidão ou Holocausto é ofensivo." (que é L7)
"O que importa é a espécie, não o indivíduo." (que é A18)
A versão mais forte
"Não dá para comparar especismo com racismo. Raça não existe, é invenção social. Espécie existe de verdade, é biologia."
Versão mais forte (steelman):
- P1Racismo e sexismo são injustos porque usam categorias que são construções sociais, sem base biológica real.
- P2A espécie é uma categoria biológica real, com diferenças genéticas, reprodutivas e evolutivas.
- CLogo, usar a espécie como critério moral não é injusto como o racismo.
A premissa P2 tem respaldo: a espécie é um conceito científico, ainda que haja debate sobre como defini-la. E P1 ecoa a crítica atual ao conceito biológico de raça.
O argumento é válido. A solidez falha em P1: o que torna o racismo injusto não é a origem do conceito.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
Pergunta Resposta do argumento Resposta correta A espécie é real? Sim Sim, em geral A raça é real? Não Debate científico à parte, é irrelevante aqui O que torna uma discriminação injusta? Usar uma categoria inventada Dar peso menor aos interesses de alguém por um traço irrelevante O argumento acerta nos fatos e erra na teoria da injustiça.
- b
Onde o argumento quebra
1. Não explica por que a origem do critério importa.
O argumento supõe, sem justificar, que um critério biológico seria justo e um social seria injusto.
2. Há critérios biológicos claramente injustos.
Altura, cor dos olhos, tipo sanguíneo e sexo são biológicos. Usá-los para decidir quem pode ser escravizado ou morto seria injusto.
3. O racismo não depende da tese da construção social.
Se fosse mostrado que raças têm alguma base biológica, o racismo continuaria tão injusto quanto antes. A injustiça está em tratar de forma tendenciosa os interesses das pessoas.
4. A espécie não mede o que importa.
Ela não diz se alguém pode sofrer, nem quanto. Por isso, é tão irrelevante para a consideração moral quanto a raça (A10).
5. A comparação não é de vítimas, é de estrutura.
Dizer que especismo e racismo têm a mesma estrutura lógica não iguala as vítimas nem minimiza o racismo (L7).
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Questão de Ética, vol. I, cap. 7 Responde ao apelo à distinção entre o biológico e o socialmente construído Fonte principal deste capítulo Questão de Ética, vol. I, cap. 2 Mostra que a espécie, como a raça e o gênero, é um critério arbitrário Base do ponto 4 Ryder, *Speciesism* (1970) Cunha o termo "especismo" por analogia com racismo Folheto original, distribuído em Oxford - d
A melhor réplica: a espécie traz consigo capacidades reais
A versão mais séria diz que a espécie não importa por si mesma, mas porque vem acompanhada de diferenças reais de capacidade: linguagem, razão, cultura. A raça não traz nada disso, a espécie traz.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Então o critério é a capacidade, não a espécie.
As capacidades citadas não medem o sofrimento.
Linguagem e cultura não dizem quanto alguém sofre ao ser confinado ou morto.
A analogia com o racismo se mantém.
Os racistas também alegavam diferenças reais de capacidade entre raças. O erro não estava só nos fatos, mas em usar capacidades irrelevantes para negar interesses.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Premissa oculta
Moral
O critério é coerente?
Irrelevância
Apelo à natureza
Vieses
Viés de grupo
Protege a fronteira do próprio grupo
Literatura geral
Extrapolações
O princípio testado é: "se o critério é biológico, discriminar por ele não é injusto".
Se valesse para…AlturaToque para ver
Escravizar pessoas baixas seria aceitável
Ninguém aceita
Se valesse para…SexoToque para ver
Negar direitos às mulheres seria aceitável
Rejeitado como sexismo
Se valesse para…EspécieToque para ver
Explorar animais seria aceitável
É a conclusão do argumento
Contradições
Que também é biológica.
Que se apoia em diferenças biológicas reais entre os sexos.
E lhe atribui um peso moral que a biologia não dá.
O que o argumento acerta
O que é verdade
Espécies são categorias biológicas, e há diferenças reais entre humanos e outros animais. Essas diferenças justificam tratamentos diferentes em muitos casos: um porco não precisa votar nem ir à escola.
Mas
Mas tratamento diferente não é desconsideração. A diferença de espécie não muda o fato de que um porco pode sofrer, e é isso que importa quando decidimos se é justo fazê-lo sofrer.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois
Aprofunde no Questão de Ética
Capítulos da coleção Uma Jornada pela Ética Animal, em acesso aberto, que discutem este argumento com mais detalhe: