Início / L. Ataques ao veganismo e aos veganos / Parte IND
"Comparar pecuária com escravidão ou Holocausto é ofensivo."
a objeção tem uma parte importante de razão: essas comparações podem ferir pessoas e comunidades que sofreram atrocidades, e devem ser feitas com muito cuidado, ou evitadas. Mas é preciso distinguir analogia estrutural de equivalência moral. Apontar semelhanças de mecanismo, como tratar seres como coisas, não é dizer que as vítimas valem o mesmo nem que os sofrimentos são iguais. E o argumento a favor dos animais não depende dessas comparações.
Resposta curta
Essas comparações podem ferir, e é justo pedir cuidado com elas, ou evitá-las. Mas é preciso separar duas coisas: apontar semelhanças de mecanismo, como tratar seres sencientes como coisas, não é dizer que as vítimas valem o mesmo. Algumas pessoas que sofreram essas atrocidades fizeram, elas mesmas, comparações desse tipo. De todo modo, a defesa dos animais não depende dessas analogias: ela se sustenta por si.
Para crianças
Algumas coisas muito tristes aconteceram com pessoas na história, e é importante lembrar delas com respeito. Comparar essas tragédias com outras coisas pode magoar quem sofreu. Por isso, é melhor falar dos animais sem usar essas comparações. Os animais merecem cuidado por eles mesmos.
"Deixando de lado as comparações, o que você acha do que acontece com os animais?"
Como pode aparecer
"Vocês banalizam o Holocausto."
"Essa comparação é racista."
"Como você compara pessoas com galinhas?"
"Vegano compara escravidão com vaca leiteira."
"Analogias com genocídios instrumentalizam o sofrimento humano."
"Veganos se importam mais com animais que com humanos." (que é L6)
A versão mais forte
"Vocês banalizam o Holocausto. Essa comparação é racista."
Versão mais forte (steelman):
- P1A escravidão e o Holocausto foram atrocidades contra seres humanos, cuja memória deve ser respeitada.
- P2Comparar essas atrocidades com o tratamento dado a animais pode sugerir que as vítimas humanas valem tanto quanto animais.
- P3Essa sugestão ofende os descendentes e sobreviventes, e reproduz a desumanização histórica que essas pessoas sofreram.
- CLogo, essas comparações são ofensivas e devem ser rejeitadas.
P1 é verdadeira. P2 e P3 apontam um risco real: em muitas situações, essas comparações ferem. O problema é concluir, daí, que a questão dos animais pode ser descartada.
O argumento é válido como crítica a uma forma de comunicação. Falha quando usado para rejeitar a questão moral sobre os animais.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento mistura uma crítica legítima à forma com uma rejeição do conteúdo:
Questão Resposta Essas comparações podem ferir? Sim, e devem ser usadas com cuidado ou evitadas Comparar mecanismos é igualar vítimas? Não necessariamente: analogia não é equivalência A questão dos animais depende dessas comparações? Não - b
Onde o argumento quebra
1. Analogia não é equivalência.
Comparar estruturas, como a coisificação, a propriedade e a negação de interesses, não é afirmar que as vítimas valem o mesmo.
2. A crítica à forma não refuta o conteúdo.
Se a comparação é inadequada, a resposta é não usá-la, e não descartar a questão dos animais.
3. Algumas vítimas fizeram a comparação.
Escritores e pessoas que viveram atrocidades fizeram comparações desse tipo. Isso não obriga ninguém a fazê-las, mas mostra que não são necessariamente desrespeitosas.
4. O argumento pelos animais se sustenta sem analogias.
Senciência, desnecessidade do dano e coerência moral bastam (A10).
5. O cuidado é um dever de quem defende os animais.
Especialmente diante de comunidades que ainda sofrem as consequências dessas atrocidades.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Spiegel, *The Dreaded Comparison* (1988) Discute a comparação entre escravidão humana e exploração animal Mirror Books; escrito por uma autora que defende a comparação Patterson, *Eternal Treblinka* (2002) Discute paralelos históricos entre o tratamento de animais e o Holocausto Lantern Books; obra controversa - d
A melhor réplica: o dano da comparação é maior que o benefício
A versão mais séria diz que, mesmo que a analogia seja estruturalmente válida, ela fere tanto e afasta tantas pessoas que não deveria ser usada.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Ela pode estar certa sobre a estratégia.
Muitos defensores dos animais concordam e evitam essas comparações.
Ela é sobre comunicação, e não sobre os animais.
A questão moral continua.
Há outras formas de falar.
O sofrimento dos animais pode ser descrito por si mesmo.
- f
De volta à questão moral
Mesmo sem nenhuma comparação histórica, a pergunta moral continua: os animais sentem, e os fazemos sofrer e morrer sem necessidade. Isso é justo?
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Confusão entre analogia e equivalência
Mudança de assunto
Moral
O critério é coerente?
Descarte da questão
Vieses
Heurística afetiva
A reação emocional à comparação substitui a avaliação
Literatura geral sobre heurística afetiva
Extrapolações
O princípio testado é: "se uma comparação ofende, a questão comparada pode ser descartada".
Se valesse para…Comparações políticas exageradasToque para ver
As questões políticas poderiam ser ignoradas
Ninguém conclui isso
Se valesse para…Analogias médicasToque para ver
Doenças comparadas a guerras deixariam de importar
Absurdo
Se valesse para…AnimaisToque para ver
A questão dos animais poderia ser ignorada
O mesmo erro
Contradições
Sem que impliquem equivalência.
Se não, a objeção não era só à forma.
O que o argumento acerta
O que é verdade
Esta objeção tem muita razão. Comparações com a escravidão e o Holocausto podem ferir profundamente pessoas e comunidades que ainda vivem as consequências dessas atrocidades, e já foram usadas de forma desrespeitosa por defensores dos animais. O cuidado aqui é um dever.
Mas
Mas a crítica à forma não apaga o conteúdo. A defesa dos animais pode e deve ser feita sem instrumentalizar o sofrimento humano, e continua de pé.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois
Referências
Filosofia e história
- The Dreaded Comparison: Human and Animal Slavery.
- Eternal Treblinka: Our Treatment of Animals and the Holocaust.