Guia de Argumentação
Pelos Animais

Início / L. Ataques ao veganismo e aos veganos / Parte IND

L7

"Comparar pecuária com escravidão ou Holocausto é ofensivo."

A resposta em uma frase

a objeção tem uma parte importante de razão: essas comparações podem ferir pessoas e comunidades que sofreram atrocidades, e devem ser feitas com muito cuidado, ou evitadas. Mas é preciso distinguir analogia estrutural de equivalência moral. Apontar semelhanças de mecanismo, como tratar seres como coisas, não é dizer que as vítimas valem o mesmo nem que os sofrimentos são iguais. E o argumento a favor dos animais não depende dessas comparações.

Resposta curta

Essas comparações podem ferir, e é justo pedir cuidado com elas, ou evitá-las. Mas é preciso separar duas coisas: apontar semelhanças de mecanismo, como tratar seres sencientes como coisas, não é dizer que as vítimas valem o mesmo. Algumas pessoas que sofreram essas atrocidades fizeram, elas mesmas, comparações desse tipo. De todo modo, a defesa dos animais não depende dessas analogias: ela se sustenta por si.

Para crianças

Algumas coisas muito tristes aconteceram com pessoas na história, e é importante lembrar delas com respeito. Comparar essas tragédias com outras coisas pode magoar quem sofreu. Por isso, é melhor falar dos animais sem usar essas comparações. Os animais merecem cuidado por eles mesmos.

Devolva com uma pergunta

"Deixando de lado as comparações, o que você acha do que acontece com os animais?"

Como pode aparecer

"Vocês banalizam o Holocausto."
Conversa cotidiana
"Essa comparação é racista."
Conversa cotidiana
"Como você compara pessoas com galinhas?"
Conversa cotidiana
"Vegano compara escravidão com vaca leiteira."
Redes sociais
"Analogias com genocídios instrumentalizam o sofrimento humano."
Versão acadêmica
"Veganos se importam mais com animais que com humanos." (que é L6)
Versão disfarçada

A versão mais forte

Como se diz

"Vocês banalizam o Holocausto. Essa comparação é racista."

Versão mais forte (steelman):

  1. P1A escravidão e o Holocausto foram atrocidades contra seres humanos, cuja memória deve ser respeitada.
  2. P2Comparar essas atrocidades com o tratamento dado a animais pode sugerir que as vítimas humanas valem tanto quanto animais.
  3. P3Essa sugestão ofende os descendentes e sobreviventes, e reproduz a desumanização histórica que essas pessoas sofreram.
  4. CLogo, essas comparações são ofensivas e devem ser rejeitadas.

P1 é verdadeira. P2 e P3 apontam um risco real: em muitas situações, essas comparações ferem. O problema é concluir, daí, que a questão dos animais pode ser descartada.

O argumento é válido como crítica a uma forma de comunicação. Falha quando usado para rejeitar a questão moral sobre os animais.

Resposta completa

  1. a

    Reconstrução e diagnóstico

    O argumento mistura uma crítica legítima à forma com uma rejeição do conteúdo:

    QuestãoResposta
    Essas comparações podem ferir?Sim, e devem ser usadas com cuidado ou evitadas
    Comparar mecanismos é igualar vítimas?Não necessariamente: analogia não é equivalência
    A questão dos animais depende dessas comparações?Não
  2. b

    Onde o argumento quebra

    1. Analogia não é equivalência.

    Comparar estruturas, como a coisificação, a propriedade e a negação de interesses, não é afirmar que as vítimas valem o mesmo.

    2. A crítica à forma não refuta o conteúdo.

    Se a comparação é inadequada, a resposta é não usá-la, e não descartar a questão dos animais.

    3. Algumas vítimas fizeram a comparação.

    Escritores e pessoas que viveram atrocidades fizeram comparações desse tipo. Isso não obriga ninguém a fazê-las, mas mostra que não são necessariamente desrespeitosas.

    4. O argumento pelos animais se sustenta sem analogias.

    Senciência, desnecessidade do dano e coerência moral bastam (A10).

    5. O cuidado é um dever de quem defende os animais.

    Especialmente diante de comunidades que ainda sofrem as consequências dessas atrocidades.

  3. c

    Dados e fontes

    FonteO que dizObservação
    Spiegel, *The Dreaded Comparison* (1988)Discute a comparação entre escravidão humana e exploração animalMirror Books; escrito por uma autora que defende a comparação
    Patterson, *Eternal Treblinka* (2002)Discute paralelos históricos entre o tratamento de animais e o HolocaustoLantern Books; obra controversa
  4. d

    A melhor réplica: o dano da comparação é maior que o benefício

    A versão mais séria diz que, mesmo que a analogia seja estruturalmente válida, ela fere tanto e afasta tantas pessoas que não deveria ser usada.

  5. e

    Por que a réplica não chega à conclusão

    Ela pode estar certa sobre a estratégia.

    Muitos defensores dos animais concordam e evitam essas comparações.

    Ela é sobre comunicação, e não sobre os animais.

    A questão moral continua.

    Há outras formas de falar.

    O sofrimento dos animais pode ser descrito por si mesmo.

  6. f

    De volta à questão moral

    Mesmo sem nenhuma comparação histórica, a pergunta moral continua: os animais sentem, e os fazemos sofrer e morrer sem necessidade. Isso é justo?

Erros de raciocínio

Lógico

A forma é válida?

Confusão entre analogia e equivalência
Toda comparação é lida como igualdade
Mudança de assunto
Da questão dos animais para a forma de falar

Moral

O critério é coerente?

Descarte da questão
A inadequação da comparação vira razão para ignorar os animais

Vieses

Heurística afetiva

A reação emocional à comparação substitui a avaliação

Literatura geral sobre heurística afetiva

Especismo

Qualquer aproximação entre humanos e animais parece ofensiva

Caviola, Everett e Faber, 2019

Extrapolações

O princípio testado é: "se uma comparação ofende, a questão comparada pode ser descartada".

Se valesse para…Comparações políticas exageradasToque para ver

As questões políticas poderiam ser ignoradas

Ninguém conclui isso

Se valesse para…Analogias médicasToque para ver

Doenças comparadas a guerras deixariam de importar

Absurdo

Se valesse para…AnimaisToque para ver

A questão dos animais poderia ser ignorada

O mesmo erro

Contradições

Usa analogias em outros temas.

Sem que impliquem equivalência.

Aceita a questão sem as comparações?

Se não, a objeção não era só à forma.

Não se preocupa com os animais quando a comparação não é feita.

O que o argumento acerta

O que é verdade

Esta objeção tem muita razão. Comparações com a escravidão e o Holocausto podem ferir profundamente pessoas e comunidades que ainda vivem as consequências dessas atrocidades, e já foram usadas de forma desrespeitosa por defensores dos animais. O cuidado aqui é um dever.

Mas

Mas a crítica à forma não apaga o conteúdo. A defesa dos animais pode e deve ser feita sem instrumentalizar o sofrimento humano, e continua de pé.

Conexões

Costuma vir antes

L7este argumento

Costuma vir depois

L6 Veganos se importam mais com animais que com humanos.Veganos ligariam mais para animais do que para humanos
A10 São só animais.São só animais
A24 Espécie é biologia, raça é construção socialA rejeição da analogia ganha uma justificativa

Referências

Filosofia e história

  • The Dreaded Comparison: Human and Animal Slavery.
  • Eternal Treblinka: Our Treatment of Animals and the Holocaust.

Psicologia