O argumento
Se nossas omissões também são escolhas morais, negligenciar um sofrimento que não causamos, mas poderíamos aliviar em alguma medida, também é moralmente relevante. Autores como Oscar Horta e Kyle Johannsen chegam a essa conclusão por caminhos distintos, o que sugere que ela não depende de uma teoria ética específica.
O mito da natureza idílica
A ideia de uma natureza intrinsecamente boa para quem vive nela é, na melhor das hipóteses, uma suposição não verificada. Na pior, é uma forma conveniente de justificar a omissão. Copiar a natureza também não serve de critério: como apontou John Stuart Mill, ela mata, tortura e destrói o tempo todo.
Pesquisa antes de ação
Ecossistemas são complexos, e uma intervenção bem-intencionada, como vacinar uma população, pode ter efeitos que piorem o resultado. Isso não pede que nunca se intervenha. Pede pesquisa séria e intervenções pequenas e reversíveis antes de qualquer coisa maior. É a proposta da chamada biologia do bem-estar.
A pergunta certa não é "devemos intervir na natureza?". É o que a evidência sugere sobre esta intervenção específica, e quanto ela precisa melhorar antes de justificar uma ação maior.
O que isso não diz
- Não autoriza a exploração. Veja C2, "Leões comem outros animais": leões não são agentes morais nem têm alternativa.
- Não exige prender predadores. F3 costuma ser usado para ridicularizar a questão, que é séria e não favorece o consumo.
- Não é contra o cuidado ambiental. O ambiente é tratado como meio para a vida de seres sencientes reais, não como fim.
A inteligência artificial pode ajudar a modelar cenários de sofrimento em populações selvagens, difíceis de calcular à mão, e a priorizar onde intervir.
Fontes e leituras
- Veganismo Baseado em Evidências, capítulos 11, 14 e 16
- Wild animal suffering
- Debunking the Idyllic View of Natural Processes
- The Case for Intervention in Nature on Behalf of Animals
- Towards Welfare Biology
- Wild Animal Ethics
- Razões Para Ajudar
- O sofrimento dos animais selvagens: pensando em soluções