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Pelos Animais

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O estado da arte da ética animal

Depois de 1975, a ética animal foi testada em casos cada vez mais difíceis, por autores de escolas que discordam entre si, e chegou à mesma rejeição do especismo.

Correntes diferentes, mesma conclusão

Quando teorias construídas sobre premissas incompatíveis convergem para a mesma conclusão prática, essa convergência funciona como uma corroboração que nenhuma teoria isolada oferece. Muitos veganos ainda desconhecem esses autores.

ViaAutor ou grupoContribuição
Igual consideraçãoPeter SingerSistematizou o princípio em 1975 e o estendeu para além da alimentação
ContratualismoMark RowlandsAtrás do véu da ignorância, ninguém saberia se nasceria humano, o que torna a espécie tão arbitrária quanto a riqueza
CapacidadesMartha NussbaumQuem tem senciência, emoção e movimento em direção ao próprio bem é sujeito pleno de justiça
Crítica políticaCahiers antispécistes: Yves Bonnardel, David Olivier e Françoise BlanchonDesde 1991, analisa o especismo como sistema de dominação
Foco no sofrimentoMagnus Vinding, Tobias Baumann, Brian Tomasik, Teo Ajantaival e Jamie WoodhouseRedução do sofrimento em larga escala, inclusive futuro
Sofrimento selvagemOscar Horta, Kyle Johannsen e Luciano Carlos CunhaLevam o critério ao sofrimento que nenhum humano causou, por caminhos consequencialistas e deontológicos
IncertezaJeff SeboSob incerteza sobre quem é senciente, temos razão para ampliar o círculo, sem esperar uma certeza que talvez nunca chegue
Mudança tecnológicaJacy Reese AnthisComo tecnologia e instituições podem acelerar o fim da pecuária
Abolição do sofrimento biológicoDavid PearcePropõe biotecnologia consensual para reduzir a capacidade de sofrer, inclusive intervindo na predação
Relações sem danoAlasdair CochranePergunta se certas relações que não envolvem dano real seriam compatíveis com uma política senciocêntrica

No Brasil, Luciano Carlos Cunha é o autor mais prolífico da área, com catorze livros entre títulos avulsos e uma coleção de doze volumes.

O que a ciência já declarou

  • Declaração de Cambridge (2012): humanos não são únicos em possuir os substratos neurológicos que geram consciência.
  • Declaração de Nova York (2024): evidência forte para mamíferos e aves, e possibilidade realista de experiência consciente em todos os vertebrados e em muitos invertebrados, incluindo cefalópodes, decápodes e insetos. Afirma também que certeza não deve ser pré-condição para considerar riscos ao bem-estar.
  • Declaração de Montreal (2022): filósofos de diferentes correntes declararam moralmente inaceitável a exploração animal.

O preço de seguir o argumento

Quando alguém leva um argumento até onde ele logicamente vai, a reação mais comum costuma ser hostilidade, e não contra-argumento. Propostas difíceis merecem ser refutadas, não descartadas como excêntricas. Concordar com os autores acima em cada ponto é outra discussão.

Fontes e leituras

  • Veganismo Baseado em Evidências, capítulo 14
  • The New York Declaration on Animal Consciousness
  • The Cambridge Declaration on Consciousness
  • Montreal Declaration on Animal Exploitation
  • Wild Animal Ethics
  • Frontiers of Justice; Justice for Animals
  • Saving Animals, Saving Ourselves; The Moral Circle
  • The End of Animal Farming
  • The Hedonistic Imperative
  • Animal Rights Without Liberation