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"Leões comem outros animais."
leões não são agentes morais nem têm alternativa. Não deliberam, não entendem consequências e morreriam sem caçar. Nós deliberamos e temos alternativa. Não tiramos nossa ética dos leões em mais nada: eles também matam os filhotes de outros machos, e ninguém usa isso como exemplo.
Resposta curta
O leão não tem escolha: é carnívoro obrigatório, não delibera e morreria sem caçar. Nós podemos viver bem sem comer animais e entendemos o que fazemos. Por isso não julgamos o leão, e é pelo mesmo motivo que podemos ser julgados. Além disso, não copiamos o leão em mais nada: leões machos matam os filhotes de outros machos, e ninguém tira disso uma regra moral.
Para crianças
O leão não sabe que existe outra opção. Ele não vai ao mercado, não sabe cozinhar feijão e precisa caçar para sobreviver. Você é diferente: pode escolher o que comer e entender o que acontece com os animais. Ninguém fica bravo com um bebê que derruba um copo, porque ele não entende. Com o leão é igual: ele não escolhe. A gente escolhe.
"Em que outra área da vida você usa o leão como exemplo do que é certo fazer?"
Como pode aparecer
"Leões comem outros animais."
"Na natureza é assim."
"Gatos comem ratos."
"Vai pedir para o leão virar vegano?"
"Então o leão é um assassino?"
"A predação é parte da ordem natural da qual fazemos parte."
"Então deveríamos impedir leões de caçar?." (que é F3)
A versão mais forte
"Na natureza é assim. Vai pedir para o leão virar vegano?"
Versão mais forte (steelman):
- P1Muitos animais matam e comem outros animais.
- P2Não condenamos moralmente esses animais por isso.
- P3Humanos também são animais.
- CLogo, não há por que condenar humanos por comer animais.
A versão forte explora uma intuição real: seria estranho condenar um leão por caçar. O problema está em P3, que trata o fato de sermos animais como se apagasse a diferença que justifica não condenar o leão.
O argumento é válido. A solidez falha porque o motivo de não condenarmos o leão, a falta de deliberação e de alternativa, não se aplica a nós.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
A diferença entre o leão e o humano não está em ser ou não animal, e sim em duas capacidades:
Capacidade Leão Humano Deliberar sobre as próprias ações e suas consequências Não Sim Viver bem sem matar animais Não: é carnívoro obrigatório Sim, para quem tem acesso a uma alimentação variada Essas duas capacidades são exatamente o que torna alguém um agente moral. O leão é um paciente moral, que pode ser prejudicado, mas não um agente que possa ser responsabilizado (A7).
- b
Onde o argumento quebra
1. O leão não pode escolher.
Ele não sabe que existem alternativas, não pode avaliar consequências e não sobreviveria sem caçar. Responsabilidade moral exige capacidade de escolha.
2. Nós podemos.
Dietas veganas bem planejadas são adequadas para humanos em todas as fases da vida, segundo a Academia de Nutrição e Dietética dos Estados Unidos. A condição que desculpa o leão não vale para nós.
3. Não copiamos o leão em mais nada.
Leões machos que assumem um grupo frequentemente matam os filhotes dos machos anteriores. Ninguém tira disso uma permissão para os humanos. Escolher imitar o leão só na alimentação é seleção conveniente.
4. É um apelo à natureza.
O argumento supõe que o que acontece na natureza é um modelo moral, o que o capítulo C1 mostra ser falso.
5. Leões não confinam nem criam animais para abater.
Mesmo a comparação descritiva falha: a pecuária industrial não se parece em nada com a predação.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Academy of Nutrition and Dietetics, 2016 Dietas veganas bem planejadas são adequadas em todas as fases da vida Mostra que a condição do leão não vale para humanos Regan, *The Case for Animal Rights* (1983) Distinção entre agentes morais e pacientes morais Usada também em A7 - d
A melhor réplica: somos predadores naturais
A versão mais séria não diz que devemos imitar o leão. Diz que somos, como ele, parte de uma cadeia de predação, e que a carne faz parte da história e da biologia humanas. Pedir que deixemos de comer animais seria pedir que deixemos de ser o tipo de animal que somos.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Ela vira outro argumento.
Ser capaz de algo não obriga a fazer.
Somos capazes de muitas coisas que escolhemos não fazer.
Nossa história também inclui a ética.
A capacidade de questionar o que fazemos é tão parte de quem somos quanto a de comer carne.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Apelo à natureza
Falsa analogia
Epistemológico
A evidência sustenta?
Seleção conveniente
Moral
O critério é coerente?
Confusão entre agente e paciente
Vieses
Raciocínio motivado
O exemplo do leão só é usado onde dispensa a mudança
Literatura geral sobre cognição motivada
Extrapolações
O princípio testado é: "o que outros animais fazem é permitido para nós".
Se valesse para…InfanticídioToque para ver
Seria permitido, porque leões o praticam
Ninguém aceita
Se valesse para…Disputa territorial violentaToque para ver
Matar quem invade o território seria legítimo
Contraria todo o direito
Se valesse para…CanibalismoToque para ver
Seria aceitável, porque ocorre em várias espécies
Ninguém aceita
Contradições
Nem na violência, nem no infanticídio, nem na vida social.
Nada disso é o que um leão faria.
O comportamento animal nunca é critério em outros assuntos.
O que o argumento acerta
O que é verdade
A intuição de que não faz sentido condenar um leão por caçar é correta. Ela mostra algo importante: a responsabilidade moral depende de capacidade de escolha e de entendimento. Também é verdade que somos animais e que nossa história evolutiva inclui o consumo de carne.
Mas
Mas é justamente essa intuição que derruba o argumento. Não condenamos o leão porque ele não pode escolher. Nós podemos, e é por isso que a pergunta se aplica a nós.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois
Aprofunde no Questão de Ética
Capítulos da coleção Uma Jornada pela Ética Animal, em acesso aberto, que discutem este argumento com mais detalhe:
- A objeção de que o consumo de animais é natural Vol. IV, cap. 5
Referências
Nutrição
Filosofia
- The Case for Animal Rights.