Guia de Argumentação
Pelos Animais

Início / Além do veganismo / Fundamento

Antiespecismo e senciocentrismo

O veganismo é uma das consequências de um critério mais amplo: o que importa moralmente é a capacidade de ser prejudicado ou beneficiado.

Dois nomes, uma ideia

O senciocentrismo sustenta que o que importa moralmente é a capacidade de ser prejudicado ou beneficiado, presente em qualquer ser senciente, humano ou não. O antiespecismo é a consequência: dar peso semelhante a prejuízos semelhantes, independentemente da espécie.

Por isso a discussão não termina no prato. Se aceitamos o critério, ele também vale para o que fazemos por omissão, para animais que ninguém explora e para seres que talvez venham a existir.

Quatro critérios em disputa

CritérioO que coloca no centroO problema
AntropocentrismoOs interesses humanos, acima de tudoEstreita o círculo sem justificativa para parar na espécie
Ambientalismo, como visão moralEcossistemas, biodiversidade e espécies, valiosos em siTrata indivíduos capazes de sofrer como meios para um fim
BiocentrismoTodo ser vivo, senciente ou nãoConfunde função biológica com interesse: sem experiência subjetiva, não há vítima possível, só um processo
SenciocentrismoQuem pode ter experiências boas ou ruinsÉ o critério que este guia adota

O que não é especismo

Reconhecer diferenças reais não é discriminação. Dizer que um animal não precisa votar é uma observação. Dizer que ele pode sofrer sem que isso importe, porque é pouco inteligente, é especismo. A linha entre reconhecer diferença e usá-la para descartar interesses é onde o debate deveria acontecer.

Hierarquias que sobrevivem entre veganos

Quem já rejeitou a exploração alimentar pode manter o especismo em outras formas:

  • Humanos acima de animais em qualquer conflito de interesses, aceitando experimentação ou sacrifícios rituais.
  • Animais de estimação acima dos de criação.
  • Mamíferos e aves acima de peixes, que são numericamente as maiores vítimas da exploração.
  • Vertebrados acima de invertebrados, descartando insetos e decápodes sem exame.
  • Animais explorados acima de selvagens, o que revela um viés de omissão: importa mais quem causou o dano do que quem o sofre.
  • Conceitos abstratos acima de indivíduos, como biodiversidade ou equilíbrio do ecossistema.
  • Quem existe agora acima de quem ainda virá, um desconto temporal que despreza o sofrimento futuro.

O teste é o véu da ignorância: você aceitaria a hierarquia sem saber em que posição nasceria? Existem bilhões de humanos e quintilhões de animais, contados os invertebrados. Ninguém que levasse essa proporção a sério apostaria numa hierarquia com humanos sistematicamente no topo.

Humanismo levado até o fim

Isso não é anti-humanismo. O humanismo trouxe universalidade e imparcialidade, que ajudaram a superar hierarquias entre grupos humanos, mas esses princípios pararam na fronteira da espécie sem justificativa. O pós-humanismo preserva o compromisso com a evidência, a igualdade e a liberdade individual, e corrige essa falha.

Fontes e leituras