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"Você também mata mosquitos e ratos em casa."
autodefesa e conflito real são diferentes de criação para consumo. Um mosquito que transmite dengue ou um rato que contamina alimentos representam uma ameaça concreta; um porco num galpão não ameaça ninguém. Mesmo nos casos de conflito, a ética animal pede preferir métodos não letais quando possível. E, se fosse incoerente matar mosquitos, isso seria um problema de quem mata mosquitos, e não uma justificativa para criar e abater bilhões de animais.
Resposta curta
Proteger-se de um mosquito que transmite dengue ou de ratos que contaminam a comida é autodefesa diante de uma ameaça real. Criar um animal para comê-lo não é: ele não ameaça ninguém. Mesmo nesses casos de conflito, a ética animal pede usar métodos não letais quando possível, como telas, repelentes e vedação. E, se alguém fosse incoerente com mosquitos, isso não tornaria aceitável criar e abater bilhões de animais.
Para crianças
Se um mosquito pode passar uma doença para você, afastá-lo é se proteger. Isso é diferente de criar um porquinho num lugar apertado só para comer depois. Num caso, a gente se defende; no outro, a gente faz o animal nascer para morrer. E, quando dá, o melhor é afastar os bichos sem matá-los.
"O porco que vira bacon estava ameaçando alguém?"
Como pode aparecer
"Você também mata mosquitos e ratos em casa."
"Você usa repelente."
"Se tiver barata, você mata."
"Vegano que usa raticida é hipócrita."
"A aceitação do controle de pragas mostra que os veganos não são consistentes."
"Você usa celular, logo é hipócrita." (que é L4)
A versão mais forte
"Você usa repelente. Se tiver barata, você mata. Então não pode falar nada."
Versão mais forte (steelman):
- P1Veganos também matam animais, como mosquitos, baratas e ratos, quando estes causam problemas.
- P2Isso mostra que eles aceitam matar animais por interesses humanos.
- P3Comer carne também atende a um interesse humano.
- CLogo, veganos não podem condenar quem come carne sem serem incoerentes.
P1 é verdadeira em muitos casos. O problema está em P2 e P3: o interesse em não contrair uma doença ou não ter a casa contaminada é muito diferente do interesse em um sabor.
O argumento é válido. A solidez falha em P3, que iguala interesses de pesos muito diferentes.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento iguala situações muito diferentes:
Situação Há ameaça? Alternativas Tipo de dano Mosquito transmissor de doenças Sim, à saúde Telas, repelentes, eliminação de criadouros Defesa Ratos em casa Sim, à saúde e aos alimentos Vedação, armadilhas que não matam Defesa Porco criado para corte Não Muitas: outros alimentos Exploração - b
Onde o argumento quebra
1. Autodefesa é uma exceção reconhecida.
Toda ética admite a defesa contra ameaças reais, inclusive entre humanos. Isso não torna aceitável causar dano a quem não ameaça ninguém.
2. Os interesses têm pesos diferentes.
Evitar dengue ou contaminação é um interesse sério; o sabor da carne é um interesse menor, que pode ser atendido de outras formas (J11).
3. A ética animal pede métodos não letais.
Prevenção, telas, repelentes e vedação são preferíveis a matar. Quem defende os animais tende a usar esses métodos.
4. A incoerência não muda o que é certo.
Se alguém mata mosquitos sem necessidade, isso é um problema dessa pessoa, e não uma permissão para todos causarem mais danos. É a falácia do tu quoque.
5. A lógica é outra.
A criação para consumo faz nascer bilhões de animais por ano justamente para morrer. O controle de pragas em casa responde a uma ameaça concreta que já existe, e ainda assim deve preferir prevenção e métodos não letais.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Our World in Data, animais abatidos Bilhões de animais são abatidos por ano para alimentação Mostra a diferença de escala The Vegan Society, definição de veganismo O veganismo busca excluir a exploração "na medida do possível e praticável" A defesa diante de ameaça real não é exploração - d
A melhor réplica: o conforto também é um interesse
A versão mais séria diz que muitas vezes os veganos matam baratas ou mosquitos não por ameaça real, mas por incômodo, e que isso seria um interesse tão trivial quanto o sabor.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Se for por incômodo, também é errado.
A crítica atinge o comportamento, e não o princípio.
Não justifica a carne.
Que alguém mate uma barata por incômodo não torna aceitável a criação de bilhões de animais.
A coerência aponta para cuidar mais.
A conclusão correta é tratar melhor todos os animais, e não pior.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Tu quoque
Falsa analogia
Moral
O critério é coerente?
Interesses de pesos diferentes tratados como iguais
Vieses
Raciocínio motivado
A comparação serve para dispensar a mudança
Literatura geral sobre cognição motivada
Extrapolações
O princípio testado é: "se mato um animal que me ameaça, posso matar animais que não me ameaçam".
Se valesse para…Legítima defesa entre humanosToque para ver
Quem se defendeu poderia agredir outros
Ninguém aceita
Se valesse para…Cães agressivosToque para ver
Se um cão ataca, todos os cães poderiam ser mortos
Ninguém aceita
Se valesse para…Animais silvestresToque para ver
Se uma cobra ameaça, todas poderiam ser caçadas
Contraria leis ambientais
Contradições
E não a aplica aqui.
A comparação não convence nem quem a faz.
Muitos espantam insetos em vez de matá-los.
O que o argumento acerta
O que é verdade
O argumento aponta uma questão real: conflitos com animais existem, e matar pragas também envolve seres que podem sentir. Defensores dos animais não devem fingir que isso é irrelevante, e devem preferir métodos não letais sempre que possível.
Mas
Mas a autodefesa diante de uma ameaça real é diferente de criar animais para comer. O primeiro caso é um conflito difícil; o segundo é uma escolha que pode ser evitada.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois