Guia de Argumentação
Pelos Animais

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F4

"E os insetos que você mata ao dirigir?"

A resposta em uma frase

dano acidental e inevitável é diferente de dano intencional e evitável. Matar insetos sem querer ao dirigir ou caminhar é um efeito colateral de atividades comuns e difíceis de evitar; pagar para que um animal seja criado e morto é uma escolha direta. A moral distingue as duas coisas em todas as áreas, e a pergunta não mostra uma incoerência, apenas a falta dessa distinção.

Resposta curta

Matar insetos sem querer ao dirigir é diferente de pagar para que um animal seja criado e morto. Um é acidental e difícil de evitar; o outro é intencional e fácil de evitar. A moral faz essa distinção em tudo: um acidente de trânsito não é o mesmo que um atropelamento proposital. Ninguém pede que se evite todo dano possível, e sim que não se cause o dano que se pode evitar facilmente.

Para crianças

Se você está andando e pisa numa formiga sem ver, foi sem querer. Se você procura uma formiga para pisar de propósito, é diferente. A gente não consegue evitar tudo, mas consegue não machucar de propósito quando não precisa.

Devolva com uma pergunta

"Para você, atropelar alguém sem querer é o mesmo que atropelar de propósito?"

Como pode aparecer

"E os insetos que você mata ao dirigir?"
Conversa cotidiana
"Você pisa em formigas."
Conversa cotidiana
"Seu carro mata mosquitos."
Conversa cotidiana
"Vegano que anda de carro é hipócrita."
Redes sociais
"Toda forma de vida implica mortes; a diferença é de grau."
Versão acadêmica
"A colheita mata animais, veganos também matam." (que é H2)
Versão disfarçada

A versão mais forte

Como se diz

"Você pisa em formigas. Seu carro mata mosquitos. Então também é assassino."

Versão mais forte (steelman):

  1. P1Toda atividade humana mata animais, inclusive dirigir, caminhar e plantar.
  2. P2Veganos também realizam essas atividades.
  3. P3Se os veganos aceitam matar animais nessas atividades, não podem condenar quem os mata para comer.
  4. CLogo, a condenação vegana é incoerente.

P1 e P2 são verdadeiras. O problema está em P3: aceitar danos acidentais e difíceis de evitar não obriga a aceitar danos intencionais e fáceis de evitar.

O argumento é válido. A solidez falha em P3, que ignora a diferença entre causar intencionalmente e causar como efeito colateral.

Resposta completa

  1. a

    Reconstrução e diagnóstico

    O argumento ignora duas diferenças:

    CaracterísticaInsetos no para-brisaAnimais criados para comida
    IntençãoNenhuma: efeito colateralDireta: o animal é criado para ser morto
    EvitabilidadeDifícil: exigiria não se locomoverFácil: basta escolher outro alimento
    Escala do dano evitávelPequenaBilhões de animais por ano
  2. b

    Onde o argumento quebra

    1. Intenção importa.

    Em toda a moral e no direito, causar um dano de propósito é diferente de causá-lo como efeito colateral de uma atividade legítima.

    2. Evitabilidade importa.

    O veganismo pede evitar a exploração "na medida do possível e praticável" (D3). Parar de se locomover não é praticável; trocar o prato é.

    3. O argumento é a falácia do nirvana.

    Como é impossível evitar todo dano, conclui que não é preciso evitar nenhum. Mas reduzir o dano evitável continua sendo melhor.

    4. A pergunta sobre os insetos leva à fronteira.

    Se o problema é saber quais animais sentem, a discussão vai para A15, e não justifica o consumo de animais que claramente sentem.

    5. Veganos também tentam reduzir esses danos.

    Muitos evitam matar insetos quando podem. Mas a incoerência de algumas pessoas não muda o que é certo.

  3. c

    Dados e fontes

    FonteO que dizObservação
    The Vegan Society, definição de veganismoO veganismo busca excluir a exploração "na medida do possível e praticável"A exigência é de evitar o evitável
    Our World in Data, animais abatidosBilhões de animais são abatidos por ano para alimentaçãoMostra a escala do dano intencional e evitável
  4. d

    A melhor réplica: a diferença é só de grau

    A versão mais séria diz que quem dirige sabe que vai matar insetos, então o dano é previsível e aceito. A diferença entre isso e comprar carne seria só de grau, e não de natureza.

  5. e

    Por que a réplica não chega à conclusão

    Mesmo que fosse de grau, o grau importa.

    Bilhões de animais criados e mortos não se comparam a insetos atingidos por acaso.

    Prever não é visar.

    Saber que um efeito colateral pode ocorrer é diferente de ter o dano como objetivo.

    O custo de evitar é diferente.

    Evitar o primeiro exigiria abandonar atividades essenciais; evitar o segundo exige trocar alimentos.

Erros de raciocínio

Lógico

A forma é válida?

Falácia do nirvana
Se não dá para evitar todo dano, nenhum precisaria ser evitado
Tu quoque
Acusa o outro de fazer algo parecido em vez de responder

Moral

O critério é coerente?

Confusão entre intenção e efeito colateral
Trata como iguais danos de natureza diferente

Vieses

Raciocínio motivado

A comparação serve para dispensar a mudança

Literatura geral sobre cognição motivada

Busca de hipocrisia

Encontrar incoerência no outro alivia a própria

Ligado a L4

Desaparecimento da compaixão

Animais pequenos e numerosos deixam de parecer indivíduos

Questão de Ética, vol. X, cap. 1

Extrapolações

O princípio testado é: "se causo danos sem querer, posso causar danos de propósito".

Se valesse para…TrânsitoToque para ver

Quem já atropelou sem querer poderia atropelar de propósito

Ninguém aceita

Se valesse para…Meio ambienteToque para ver

Como toda atividade polui um pouco, poluir de propósito seria aceitável

Ninguém aceita

Se valesse para…TrabalhoToque para ver

Como acidentes acontecem, provocá-los seria aceitável

Ninguém aceita

Contradições

Distingue acidentes de atos intencionais em tudo.

No trânsito, no trabalho, no direito.

Não acha que quem dirige é assassino.

O que mostra que reconhece a diferença.

Aceita que se evite o dano evitável em outros temas.

Como o desperdício ou a poluição.

O que o argumento acerta

O que é verdade

A pergunta aponta para algo real: viver causa danos, inclusive a animais, e ninguém consegue evitá-los completamente. Também é saudável lembrar que o veganismo não é pureza e que insetos podem merecer consideração moral.

Mas

Mas a impossibilidade de evitar todo dano não dispensa evitar o dano que se pode evitar. A diferença entre o inseto no para-brisa e o frango no prato não é de pureza, é de escolha.

Conexões

Costuma vir antes

F4este argumento

Costuma vir depois

A15 Onde traçar a linha? Insetos? Bactérias?Do dano acidental passa-se à pergunta da fronteira
H2 A colheita mata animais, veganos também matam.Lembra os animais mortos na colheita

Referências