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"E os insetos que você mata ao dirigir?"
dano acidental e inevitável é diferente de dano intencional e evitável. Matar insetos sem querer ao dirigir ou caminhar é um efeito colateral de atividades comuns e difíceis de evitar; pagar para que um animal seja criado e morto é uma escolha direta. A moral distingue as duas coisas em todas as áreas, e a pergunta não mostra uma incoerência, apenas a falta dessa distinção.
Resposta curta
Matar insetos sem querer ao dirigir é diferente de pagar para que um animal seja criado e morto. Um é acidental e difícil de evitar; o outro é intencional e fácil de evitar. A moral faz essa distinção em tudo: um acidente de trânsito não é o mesmo que um atropelamento proposital. Ninguém pede que se evite todo dano possível, e sim que não se cause o dano que se pode evitar facilmente.
Para crianças
Se você está andando e pisa numa formiga sem ver, foi sem querer. Se você procura uma formiga para pisar de propósito, é diferente. A gente não consegue evitar tudo, mas consegue não machucar de propósito quando não precisa.
"Para você, atropelar alguém sem querer é o mesmo que atropelar de propósito?"
Como pode aparecer
"E os insetos que você mata ao dirigir?"
"Você pisa em formigas."
"Seu carro mata mosquitos."
"Vegano que anda de carro é hipócrita."
"Toda forma de vida implica mortes; a diferença é de grau."
"A colheita mata animais, veganos também matam." (que é H2)
A versão mais forte
"Você pisa em formigas. Seu carro mata mosquitos. Então também é assassino."
Versão mais forte (steelman):
- P1Toda atividade humana mata animais, inclusive dirigir, caminhar e plantar.
- P2Veganos também realizam essas atividades.
- P3Se os veganos aceitam matar animais nessas atividades, não podem condenar quem os mata para comer.
- CLogo, a condenação vegana é incoerente.
P1 e P2 são verdadeiras. O problema está em P3: aceitar danos acidentais e difíceis de evitar não obriga a aceitar danos intencionais e fáceis de evitar.
O argumento é válido. A solidez falha em P3, que ignora a diferença entre causar intencionalmente e causar como efeito colateral.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento ignora duas diferenças:
Característica Insetos no para-brisa Animais criados para comida Intenção Nenhuma: efeito colateral Direta: o animal é criado para ser morto Evitabilidade Difícil: exigiria não se locomover Fácil: basta escolher outro alimento Escala do dano evitável Pequena Bilhões de animais por ano - b
Onde o argumento quebra
1. Intenção importa.
Em toda a moral e no direito, causar um dano de propósito é diferente de causá-lo como efeito colateral de uma atividade legítima.
2. Evitabilidade importa.
O veganismo pede evitar a exploração "na medida do possível e praticável" (D3). Parar de se locomover não é praticável; trocar o prato é.
3. O argumento é a falácia do nirvana.
Como é impossível evitar todo dano, conclui que não é preciso evitar nenhum. Mas reduzir o dano evitável continua sendo melhor.
4. A pergunta sobre os insetos leva à fronteira.
Se o problema é saber quais animais sentem, a discussão vai para A15, e não justifica o consumo de animais que claramente sentem.
5. Veganos também tentam reduzir esses danos.
Muitos evitam matar insetos quando podem. Mas a incoerência de algumas pessoas não muda o que é certo.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação The Vegan Society, definição de veganismo O veganismo busca excluir a exploração "na medida do possível e praticável" A exigência é de evitar o evitável Our World in Data, animais abatidos Bilhões de animais são abatidos por ano para alimentação Mostra a escala do dano intencional e evitável - d
A melhor réplica: a diferença é só de grau
A versão mais séria diz que quem dirige sabe que vai matar insetos, então o dano é previsível e aceito. A diferença entre isso e comprar carne seria só de grau, e não de natureza.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Mesmo que fosse de grau, o grau importa.
Bilhões de animais criados e mortos não se comparam a insetos atingidos por acaso.
Prever não é visar.
Saber que um efeito colateral pode ocorrer é diferente de ter o dano como objetivo.
O custo de evitar é diferente.
Evitar o primeiro exigiria abandonar atividades essenciais; evitar o segundo exige trocar alimentos.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Falácia do nirvana
Tu quoque
Moral
O critério é coerente?
Confusão entre intenção e efeito colateral
Vieses
Raciocínio motivado
A comparação serve para dispensar a mudança
Literatura geral sobre cognição motivada
Desaparecimento da compaixão
Animais pequenos e numerosos deixam de parecer indivíduos
Extrapolações
O princípio testado é: "se causo danos sem querer, posso causar danos de propósito".
Se valesse para…TrânsitoToque para ver
Quem já atropelou sem querer poderia atropelar de propósito
Ninguém aceita
Se valesse para…Meio ambienteToque para ver
Como toda atividade polui um pouco, poluir de propósito seria aceitável
Ninguém aceita
Se valesse para…TrabalhoToque para ver
Como acidentes acontecem, provocá-los seria aceitável
Ninguém aceita
Contradições
No trânsito, no trabalho, no direito.
O que mostra que reconhece a diferença.
Como o desperdício ou a poluição.
O que o argumento acerta
O que é verdade
A pergunta aponta para algo real: viver causa danos, inclusive a animais, e ninguém consegue evitá-los completamente. Também é saudável lembrar que o veganismo não é pureza e que insetos podem merecer consideração moral.
Mas
Mas a impossibilidade de evitar todo dano não dispensa evitar o dano que se pode evitar. A diferença entre o inseto no para-brisa e o frango no prato não é de pureza, é de escolha.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois