Início / L. Ataques ao veganismo e aos veganos / Parte IND
"Veganos são chatos e se acham superiores."
é um ataque à pessoa, e não ao argumento. Mesmo que alguns veganos sejam chatos, isso não altera a validade do que dizem sobre os animais. A psicologia tem até um nome para a reação: depreciação de quem faz o bem. Em 2012, pesquisadores mostraram que quem come carne tende a avaliar pior os vegetarianos justamente quando imagina ser julgado por eles. A irritação muitas vezes vem do desconforto, e não do comportamento do vegano.
Resposta curta
Alguns veganos podem ser chatos, como pessoas de qualquer grupo. Mas isso não muda nada sobre os animais. A psicologia mostra que parte da irritação vem de se sentir julgado: num estudo de 2012, quem comia carne avaliou pior os vegetarianos justamente depois de imaginar que eles os julgavam. Muitas vezes, basta um vegano dizer que não come carne para ser visto como "superior". A pergunta continua: os animais merecem ser poupados?
Para crianças
Às vezes, alguém fala de um jeito chato, mesmo estando certo. Imagine que um colega avisa, de um jeito irritante, que você está pisando no pé de alguém. O jeito dele pode ser chato, mas ainda assim é bom tirar o pé. O que importa é se a pessoa está certa, e não se ela é simpática.
"Se o vegano mais simpático do mundo fizesse o mesmo argumento, ele estaria errado?"
Como pode aparecer
"Como saber se alguém é vegano? Ele conta."
"Vocês se acham melhores."
"Lá vem o vegano de novo."
"Vegano chato é pleonasmo."
"O moralismo vegano gera rejeição."
"Veganismo radical afasta as pessoas." (que é K6)
A versão mais forte
"Como saber se alguém é vegano? Ele conta. Vocês se acham melhores."
Versão mais forte (steelman):
- P1Alguns veganos são insistentes, moralistas ou arrogantes.
- P2Esse comportamento é desagradável e prejudica o diálogo.
- P3Um movimento que se comporta assim não merece ser levado a sério.
- CLogo, o veganismo pode ser ignorado.
P1 e P2 podem ser verdadeiras em alguns casos. O problema está em P3: o comportamento de algumas pessoas não diz nada sobre se a ideia que defendem é verdadeira.
O argumento é válido. A solidez falha em P3, que é um ad hominem.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento substitui a avaliação da ideia pela avaliação das pessoas:
O que o argumento avalia O que deveria avaliar O tom de alguns veganos Se os animais sentem e se é certo matá-los A suposta superioridade As razões apresentadas - b
Onde o argumento quebra
1. É ad hominem.
O comportamento de quem defende uma ideia não a torna verdadeira nem falsa.
2. A irritação muitas vezes vem do desconforto.
Minson e Monin mostraram em 2012 que quem come carne tende a depreciar vegetarianos, sobretudo quando imagina ser julgado moralmente por eles. Os autores chamaram isso de depreciação de quem faz o bem.
3. A simples menção já incomoda.
Muitas vezes, o vegano é visto como chato apenas por recusar um prato ou responder a uma pergunta.
4. Estereótipos generalizam.
Os veganos são diversos, e muitos evitam falar do tema justamente para não serem vistos assim.
5. Não aceitaríamos o argumento em outras causas.
Que alguns defensores de uma causa sejam inconvenientes não é razão para descartá-la; a pergunta sobre a causa continua.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Minson e Monin, 2012, *Social Psychological and Personality Science* Quem come carne deprecia vegetarianos, especialmente quando antecipa ser julgado moralmente por eles Versão preliminar do artigo - d
A melhor réplica: o moralismo atrapalha a causa
A versão mais séria diz que o comportamento moralista de alguns veganos prejudica a própria causa, e que eles deveriam mudar a forma de se comunicar.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
É uma crítica legítima à forma.
E os defensores dos animais devem levá-la a sério.
Não muda o conteúdo.
A mensagem continua sendo a mesma.
Não serve de desculpa para quem ouve.
A pergunta sobre os animais é para cada um.
- f
De volta à questão moral
O argumento fala dos veganos, e não dos animais. Mas os animais não escolheram seus defensores. A pergunta moral não depende da simpatia de ninguém: é justo fazê-los sofrer e morrer quando não precisamos?
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Ad hominem
Generalização apressada
Moral
O critério é coerente?
Desvio da questão
Vieses
Depreciação de quem faz o bem
Desqualificar quem age moralmente alivia o desconforto
Reatância psicológica
A sensação de ser julgado gera rejeição
Literatura geral sobre reatância
Desvalorização reativa
Uma proposta é rejeitada porque veio de um vegano
Efeito do mensageiro
Julga-se a mensagem pela antipatia por quem a diz
Extrapolações
O princípio testado é: "se quem defende uma ideia é desagradável, a ideia pode ser ignorada".
Se valesse para…Ativistas antitabagismoToque para ver
O alerta sobre o cigarro poderia ser ignorado
Ninguém sensato conclui isso
Se valesse para…Abolicionistas insistentesToque para ver
A escravidão não precisaria ser questionada
Absurdo
Se valesse para…VeganosToque para ver
A questão dos animais poderia ser ignorada
O mesmo erro
Contradições
Quando concorda com elas.
Mas acha chato quando um vegano fala.
Como qualquer pessoa.
O que o argumento acerta
O que é verdade
Há veganos que se comunicam mal, julgam os outros e afastam pessoas, e essa crítica deve ser ouvida pelo movimento. Ninguém gosta de se sentir julgado, e o diálogo funciona melhor com respeito.
Mas
Mas a qualidade de uma ideia não depende da simpatia de quem a defende. A pergunta sobre os animais continua esperando resposta, seja quem for que a faça.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois