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"Há problemas humanos mais importantes."
é a falácia da prioridade. Comer plantas não tira tempo, dinheiro nem energia de nenhuma outra causa. Ninguém precisa escolher entre combater a fome e deixar de pagar pela morte de animais: é possível fazer as duas coisas, e muitas pessoas fazem. Além disso, a pecuária está ligada a problemas humanos graves, como desmatamento, mudança climática, pandemias e condições de trabalho perigosas.
Resposta curta
Comer plantas não tira tempo nem dinheiro de nenhuma outra causa. Ninguém precisa escolher entre lutar contra a fome e deixar de pagar pela morte de animais: dá para fazer as duas coisas, e muita gente faz. E a pecuária está ligada a problemas humanos graves: desmatamento, mudança climática, risco de pandemias e trabalho perigoso. Cuidar dos animais muitas vezes é também cuidar das pessoas.
Para crianças
Dá para ajudar as pessoas e os animais ao mesmo tempo. Comer feijão em vez de carne não impede ninguém de doar comida, ajudar um amigo ou estudar para mudar o mundo. Não é preciso escolher só uma coisa boa para fazer.
"O que você deixaria de fazer pelas pessoas se comesse feijão em vez de carne?"
Como pode aparecer
"Com tanta criança passando fome..."
"Lute por gente primeiro."
"Tem coisa mais importante."
"Vegano chora por vaca e ignora morador de rua."
"Os deveres para com humanos têm prioridade."
"Veganos se importam mais com animais que com humanos." (que é L6)
A versão mais forte
"Com tanta criança passando fome... Lute por gente primeiro."
Versão mais forte (steelman):
- P1Há problemas humanos graves, como fome, guerra e pobreza.
- P2Os recursos morais e de atenção são limitados.
- P3Problemas humanos devem ter prioridade.
- CLogo, a preocupação com os animais desvia a atenção do que importa mais.
P1 é verdadeira. P2 também, em parte. O problema está na conclusão: deixar de comer animais não consome os recursos que iriam para outras causas.
O argumento é válido se o veganismo competisse com outras causas. A solidez falha porque não compete.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento supõe que as causas competem:
Ação Consome recursos de outras causas? Deixar de comer animais Não: é uma troca no prato, muitas vezes mais barata Militar pelos animais Algum tempo, como qualquer causa Doar para combater a fome Não é impedido pelo veganismo - b
Onde o argumento quebra
1. É a falácia da prioridade.
Que haja problemas mais graves não torna os menores irrelevantes. Se valesse, quase nenhuma causa poderia ser defendida.
2. Não causar dano não é uma causa que compete.
Deixar de comer animais é uma abstenção, e não um projeto que consome tempo.
3. A pecuária afeta humanos.
4. O argumento muitas vezes serve para encerrar a conversa.
Mesmo quando vem de alguém que se dedica a outra causa, ele continua sendo uma falsa escolha: não comer animais não compete com nenhuma outra luta.
5. Muitas pessoas defendem várias causas.
Defensores dos animais também atuam por direitos humanos, combate à fome e justiça social.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Our World in Data, terra para agricultura A pecuária usa cerca de 80% da área agrícola e fornece 17% das calorias Mostra a relação entre pecuária e segurança alimentar Our World in Data, escolha do alimento versus comer local A produção de alimentos é grande fonte de emissões, com a carne bovina entre os alimentos de maior impacto Mostra a relação entre pecuária e clima - d
A melhor réplica: o ativismo pelos animais consome energia
A versão mais séria admite que comer plantas não compete com outras causas, mas diz que o ativismo pelos animais consome tempo e dinheiro que poderiam ir para causas humanas.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Ela muda de assunto.
A pergunta era sobre comer animais, e não sobre fazer ativismo.
Todas as causas competem por tempo.
E ninguém exige que só a mais grave seja defendida.
O sofrimento animal é enorme.
Bilhões de seres sencientes por ano, o que torna a causa relevante.
- f
De volta à questão moral
O argumento não diz que os animais não importam; diz que outras coisas importam mais. Mas deixar de pagar pela morte de animais não tira nada dessas outras coisas. A pergunta moral continua: se não causa prejuízo a ninguém, por que não parar?
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Falácia da prioridade
Falsa dicotomia
Epistemológico
A evidência sustenta?
Ignorar conexões
Vieses
Raciocínio motivado
A prioridade de outras causas dispensa a mudança
Literatura geral sobre cognição motivada
Extrapolações
O princípio testado é: "enquanto houver problemas maiores, os menores não importam".
Se valesse para…Combate ao racismoToque para ver
Não importaria enquanto houver fome
Ninguém aceita
Se valesse para…Proteção de criançasToque para ver
Não importaria enquanto houver guerras
Ninguém aceita
Se valesse para…Maus-tratos a cãesToque para ver
Não importariam
Quem usa o argumento discorda
Contradições
Como hobbies, esportes ou política local.
Usa o argumento sem agir.
Sem achar que isso desvia de causas humanas.
O que o argumento acerta
O que é verdade
Os problemas humanos são graves e urgentes, e ninguém deve ser indiferente à fome, à pobreza e à violência. Também é verdade que algumas pessoas tratam a causa animal de forma a parecer desdenhar de humanos, o que é um erro.
Mas
Mas deixar de comer animais não compete com nenhuma dessas causas. É possível cuidar de pessoas e animais ao mesmo tempo, e muitas vezes uma coisa ajuda a outra.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois
Aprofunde no Questão de Ética
Capítulos da coleção Uma Jornada pela Ética Animal, em acesso aberto, que discutem este argumento com mais detalhe:
- A alegação de que é melhor deixar para depois a luta pelos animais Vol. IV, cap. 16