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"A causa animal é pauta de classe média branca e acaba atacando as práticas culturais de minorias."
Esquerda progressista e multiculturalismo: o princípio
Defender os grupos vulneráveis, combater a dominação e respeitar a diversidade cultural.
Por que excluir os animais contradiz o princípio
- Will Kymlicka e Sue Donaldson mostram que a causa animal é quase invisível na esquerda, apesar das afinidades com o feminismo, a justiça social e os direitos das pessoas com deficiência, e que essa exclusão não decorre dos princípios da própria esquerda.
- Parte da resistência vem do medo de que falar em direitos animais rebaixe a dignidade humana de grupos que já foram desumanizados. Mas defender os animais não exige negar nada a nenhum humano.
- A maior parte dos animais mortos hoje está na pecuária industrial das maiorias e das grandes empresas, e não em práticas de minorias.
A melhor réplica
A versão mais séria aponta um problema real: campanhas pelos animais já escolheram como alvo práticas de minorias, como abates rituais ou caça de povos indígenas, enquanto ignoravam práticas da maioria muito mais numerosas.
A resposta
A crítica é justa e deve ser levada a sério: o critério tem de ser o mesmo para todos, e começar pela exploração mais numerosa é o mais coerente. Isso é um argumento contra a seletividade, e não contra os animais. Um respeito à diversidade que não contasse os animais repetiria o corte que ela combate (D2, J6).
Veja também
D2 É cultural, criticar é etnocentrismo.J6 Há problemas humanos mais importantes.L7 Comparar pecuária com escravidão ou Holocausto é ofensivo.