Guia de Argumentação
Pelos Animais

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H14

"Comer insetos é a proteína sustentável do futuro"

A resposta em uma frase

criar insetos pode emitir menos gases e usar menos terra que a pecuária, mas troca um problema ambiental por um número de vítimas sem precedentes. Por serem pequenos, são precisos trilhões de insetos para produzir o que se obtém de poucos animais grandes, e há evidências crescentes de que muitos insetos são sencientes. Há proteínas vegetais igualmente eficientes e sem ninguém para sofrer.

Resposta curta

Sustentável para quem? Para os insetos, significa trilhões de mortes por ano, contando os criados para comida e ração. E há cada vez mais evidências de que muitos sentem. Se queremos proteína com pouca terra e pouca emissão, feijão, soja, lentilha e grão-de-bico já fazem isso sem ninguém para sofrer. Reduzir o impacto ambiental não justifica aumentar o número de vítimas.

Para crianças

Um grilo é bem pequeno. Para fazer um hambúrguer de grilo, é preciso usar muitos, muitos grilos. Os cientistas estão descobrindo que os insetos aprendem, se lembram das coisas e talvez sintam dor. Então, se a gente trocar a vaca pelos grilos, talvez não esteja ajudando os animais: pode estar fazendo muito mais animais sofrerem. E feijão, lentilha e grão-de-bico também têm muita proteína.

Devolva com uma pergunta

"Se existe uma proteína tão sustentável quanto a do grilo e sem vítima nenhuma, por que escolher a do grilo?"

Como pode aparecer

"Comer inseto é sustentável, é o futuro da proteína."
Conversa cotidiana
"Inseto não sente, pode criar à vontade."
Conversa cotidiana
"Hambúrguer de grilo: proteína com baixa pegada de carbono."
Mercado
"Larvas de mosca para alimentar peixes e frangos."
Ração
"Se a carne for sustentável, não há problema." (que é H13)
Versão disfarçada
"Peixes e invertebrados não sentem dor." (que é A6)
Versão disfarçada

A versão mais forte

Como se diz

"Farinha de grilo é o futuro. Muita proteína, pouca terra, quase nenhuma emissão. E inseto não sente nada."

Versão mais forte (steelman):

  1. P1A pecuária é uma das principais causas de emissões, desmatamento e uso de água.
  2. P2Insetos convertem ração em proteína de forma muito mais eficiente que bois ou porcos, com menos emissões e menos terra.
  3. P3Insetos provavelmente não sentem dor, ou sentem muito pouco.
  4. CLogo, substituir carne por insetos é uma solução sustentável e eticamente aceitável.

P1 é verdadeira, e P2 tem algum apoio: a FAO destacou em 2013 a eficiência alimentar de insetos comestíveis.

O argumento é válido. A solidez falha em P3, que contraria evidências crescentes, e a conclusão ignora alternativas vegetais que cumprem P2 sem vítimas.

Resposta completa

  1. a

    Reconstrução e diagnóstico

    PremissaO que afirmaSituação
    P1A pecuária degrada o ambienteVerdadeira
    P2Insetos são mais eficientes que gadoEm parte: depende da ração e da espécie
    P3Insetos não sentemContrária a evidências crescentes
    Alternativa ignoradaProteínas vegetaisTão ou mais eficientes, sem vítimas
  2. b

    Onde o argumento quebra

    1. Há evidências de senciência em insetos.

    Insetos mostram comportamento flexível, aprendizagem e integração de informações. Têm cérebros centralizados com estruturas especializadas, os corpos de cogumelo, com centenas de milhares de neurônios. Isso basta, no mínimo, para dar a eles o benefício da dúvida, como já fazemos com polvos e crustáceos (A6).

    2. O número de vítimas explode.

    Segundo estimativas citadas pela coleção Uma Jornada pela Ética Animal, morrem por ano entre 2 e 3,2 trilhões de insetos criados para consumo, além de trilhões de cochonilhas para corante e centenas de bilhões de bichos-da-seda. Como cada inseto é minúsculo, a substituição multiplica as vítimas.

    3. O abate não é gentil.

    Os métodos usuais incluem congelamento, imersão em água acima de 80 °C, micro-ondas e trituração, depois de 12 a 24 horas sem comida.

    4. Cérebro menor não garante sofrer menos.

    Em animais com menos recursos cognitivos, a dor pode ser o principal motor do comportamento, e por isso precisaria ser intensa (A22).

    5. A alternativa vegetal já existe.

    Leguminosas cumprem o objetivo ambiental sem criar ninguém para morrer.

  3. c

    Dados e fontes

    FonteO que dizObservação
    Questão de Ética, vol. IV, cap. 19Reúne evidências de senciência em insetos, números da exploração e métodos de abateFonte principal deste capítulo; os números vêm de estimativas de Rowe (2020 e 2021)
    FAO, *Edible insects: future prospects for food and feed security* (2013)Defende os insetos como fonte eficiente de proteínaO argumento ambiental em sua versão oficial
    Questão de Ética, vol. II, cap. 13Como agir sob incerteza sobre a senciênciaBase do benefício da dúvida
  4. d

    A melhor réplica: mesmo que sintam, contam muito menos

    A versão mais séria admite que insetos podem sentir, mas diz que cada um conta muito menos que um boi ou um porco, por ter uma vida mental muito mais simples. Assim, trocar um boi por milhares de grilos ainda seria um ganho moral.

  5. e

    Por que a réplica não chega à conclusão

    Contar menos não autoriza explorar.

    Mesmo com peso menor, seria preciso outro argumento para justificar criar e matar.

    A escala anula o desconto.

    Se um humano contasse mil vezes mais que um inseto, bastariam mil insetos para empatar, e os números reais são de trilhões.

    A comparação certa não é com o boi.

    É com o feijão. Contra uma alternativa sem vítimas, qualquer número de vítimas perde.

  6. f

    De volta à questão moral

    Este capítulo mostra o risco de defender o veganismo pelo meio ambiente: a criação de insetos pode ser ótima para o clima e péssima para os animais. A questão que importa não é quanta terra uma proteína usa, e sim se é justo criar seres sencientes para morrer quando não precisamos.

Erros de raciocínio

Lógico

A forma é válida?

Falsa dicotomia
Carne ou inseto, esquecendo as plantas

Epistemológico

A evidência sustenta?

Ignorar evidências
Supõe ausência de senciência sem examinar os estudos

Moral

O critério é coerente?

Troca de critério
O impacto ambiental substitui a pergunta sobre as vítimas

Vieses

Insensibilidade à escala

Trilhões de vítimas não pesam mais que milhões

Questão de Ética, vol. X, cap. 1

Negação de mente

Animais pequenos e estranhos parecem não ter mente

Literatura geral

Desaparecimento da compaixão

Quanto mais vítimas, menos se sente por cada uma

Questão de Ética, vol. X, cap. 1

Extrapolações

O princípio testado é: "se reduz o impacto ambiental, é aceitável, não importa quantos morram".

Se valesse para…Caça "sustentável"Toque para ver

Matar animais selvagens seria aceitável se reduzisse emissões

Contestado por quem defende os animais

Se valesse para…Couro "sustentável"Toque para ver

Explorar animais seria aceitável com pegada menor

Mesma lógica

Se valesse para…InsetosToque para ver

Criar trilhões para comer seria aceitável

É a conclusão do argumento

Contradições

Diz que quer reduzir danos.

E multiplica o número de animais mortos.

Aceita que polvos e caranguejos sentem.

Com base em evidências parecidas às que existem para insetos.

Defende a eficiência.

E ignora as leguminosas, que são mais eficientes que qualquer criação.

O que o argumento acerta

O que é verdade

A pecuária causa danos ambientais enormes, e buscar alternativas é necessário. Também é verdade que há incerteza real sobre a senciência de muitas espécies de insetos.

Mas

Mas a incerteza pede cautela, e não licença. E a alternativa sem vítimas já está no prato de muita gente.

Conexões

Costuma vir antes

H13 Se a carne for sustentável, não há problema.A sustentabilidade vira critério moral
K5 Vou esperar a carne cultivada.A busca de uma proteína alternativa
H14este argumento

Costuma vir depois

A6 Peixes e invertebrados não sentem dor.Quando se pergunta se os insetos sentem
A15 Onde traçar a linha? Insetos? Bactérias?A dúvida vira desafio sobre os limites
I5 Abelhas produzem mel em excesso.Outro uso de insetos defendido como inofensivo

Aprofunde no Questão de Ética

Capítulos da coleção Uma Jornada pela Ética Animal, em acesso aberto, que discutem este argumento com mais detalhe:

Referências