Guia de Argumentação
Pelos Animais

Início / K. Eficácia e responsabilidade individual / Parte IND

K7

"Eu não mato, só como."

A resposta em uma frase

é terceirização moral. Quem paga por um ato participa dele. O abate acontece porque há quem compre a carne, e o trabalhador do frigorífico faz, por encomenda, aquilo que o consumidor não quer ver. Entre humanos, ninguém aceita que encomendar um dano seja inocente só porque outra pessoa o executou.

Resposta curta

Quem paga por um ato participa dele. O abate acontece porque há quem compre a carne; o trabalhador do frigorífico faz, por encomenda, o que o consumidor não quer ver. Entre humanos, ninguém aceita que encomendar um dano seja inocente só porque outra pessoa o executou. E, se você não seria capaz de matar o animal, talvez isso diga algo sobre o ato que está pagando.

Para crianças

Imagine que alguém paga para outra pessoa quebrar o brinquedo de um colega. Quem pagou também tem culpa, né? Com a carne é parecido: quem compra paga para que o animal seja morto, mesmo sem ver.

Devolva com uma pergunta

"Se você não mataria o animal com as próprias mãos, por que paga para que alguém mate?"

Como pode aparecer

"Eu não mato, só como."
Conversa cotidiana
"Eu só compro."
Conversa cotidiana
"Quem mata é o açougueiro."
Conversa cotidiana
"Não tenho nada a ver com o abate."
Redes sociais
"A responsabilidade moral é do agente direto."
Versão filosófica
"O animal já está morto." (que é K2)
Versão disfarçada

A versão mais forte

Como se diz

"Eu só compro. Quem mata é o açougueiro."

Versão mais forte (steelman):

  1. P1Quem mata os animais são os trabalhadores dos frigoríficos.
  2. P2O consumidor não participa diretamente do abate.
  3. P3A responsabilidade moral recai sobre quem pratica o ato.
  4. CLogo, quem só come carne não é responsável pela morte dos animais.

P1 e P2 são verdadeiras. O problema está em P3: a responsabilidade moral não se limita a quem executa o ato; inclui quem o encomenda e financia.

O argumento é válido. A solidez falha em P3.

Resposta completa

  1. a

    Reconstrução e diagnóstico

    O argumento separa o ato da encomenda:

    PapelO que fazResponsabilidade
    Trabalhador do frigoríficoExecuta o abateDireta, mas sob pressão econômica
    EmpresaOrganiza a produçãoGrande
    ConsumidorPaga e gera a demandaReal: é quem encomenda
  2. b

    Onde o argumento quebra

    1. Pagar é participar.

    A responsabilidade moral inclui quem encomenda e financia um ato, e não só quem o executa.

    2. O abate existe por causa da compra.

    Sem demanda, não haveria abate (K2).

    3. O trabalhador faz o que o consumidor não quer fazer.

    O trabalho no frigorífico é perigoso e desgastante, e é delegado a outros justamente por ser difícil de encarar.

    4. A distância facilita a negação.

    A psicologia mostra que as pessoas dissociam a carne do animal e do abate para reduzir o desconforto.

    5. Entre humanos, a terceirização não inocenta.

    Encomendar um crime é crime.

  3. c

    Dados e fontes

    FonteO que dizObservação
    Benningstad e Kunst, 2020, *Appetite*As pessoas dissociam a carne de sua origem animal para reduzir o desconfortoRevisão sistemática
    Kagan, *Do I Make a Difference?* (2011)Cada compra tem efeito esperado real sobre a produçãoUsado também em K1 e K2
  4. d

    A melhor réplica: o efeito de uma compra é mínimo

    A versão mais séria admite que quem compra participa em algum sentido, mas diz que o efeito de uma compra individual é tão pequeno que a responsabilidade é praticamente nula.

  5. e

    Por que a réplica não chega à conclusão

    O efeito esperado é real.

    Como mostra o capítulo K1.

    A responsabilidade não depende só do efeito.

    Participar de uma prática danosa também conta.

    Pequenas contribuições somam.

    O abate de bilhões de animais é feito de compras individuais.

  6. f

    De volta à questão moral

    O argumento tenta transferir a responsabilidade para outros. Mas o animal morre porque alguém pagou por isso. A pergunta moral é para quem paga: o que justifica encomendar a morte de outro ser?

Erros de raciocínio

Moral

O critério é coerente?

Terceirização moral
Atribui a responsabilidade só a quem executa

Epistemológico

A evidência sustenta?

Dissociação
Separa a carne do animal e do abate

Lógico

A forma é válida?

Falsa distinção
Separa encomendar e executar como se fossem independentes

Vieses

Dissociação

A carne é separada do animal

Benningstad e Kunst, 2020

Difusão de responsabilidade

A culpa parece ser de outros

Literatura geral sobre difusão de responsabilidade

Viés de omissão e viés do perpetrador

Só quem mata parece responsável; quem paga, não

Questão de Ética, vol. X, cap. 2

Extrapolações

O princípio testado é: "se outra pessoa executa o ato, quem paga não tem responsabilidade".

Se valesse para…Encomendar um crimeToque para ver

Seria inocente

É crime

Se valesse para…Comprar produtos de trabalho escravoToque para ver

Não teria responsabilidade

Ninguém aceita

Se valesse para…Comprar carneToque para ver

Não teria responsabilidade

O mesmo erro

Contradições

Não aceita que encomendar um crime seja inocente.

Não mataria o animal pessoalmente.

O que sugere que vê algo errado no ato.

Sabe que o frigorífico abate para vender.

E compra.

O que o argumento acerta

O que é verdade

É verdade que o consumidor não está diretamente no abate, e que empresas e o sistema têm grande responsabilidade. Também é verdade que os trabalhadores dos frigoríficos enfrentam condições difíceis e merecem atenção.

Mas

Mas a distância não apaga a participação. O abate é feito para quem compra, e quem compra é parte da cadeia que decide a morte do animal.

Conexões

Costuma vir antes

K2 O animal já está morto.Terceiriza a responsabilidade
K7este argumento

Costuma vir depois

K2 O animal já está morto.O animal já está morto

Referências