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"Ostras e mexilhões não sentem."
o argumento é parcialmente plausível, e é justamente por isso que confirma o critério. Ostras e mexilhões têm sistemas nervosos muito simples, sem cérebro centralizado, e há filósofos defensores dos animais que admitem que talvez não sintam. Mas, ao dizer "não sentem, então pode", a pessoa aceita que o que importa é a senciência. E esse critério condena o consumo de todos os animais que sentem, inclusive peixes, polvos e caranguejos.
Resposta curta
Talvez você tenha razão sobre ostras e mexilhões: eles têm sistemas nervosos muito simples, e até alguns defensores dos animais admitem que talvez não sintam. Mas, ao dizer isso, você aceita que o que importa é se o animal sente. E esse critério condena comer peixes, polvos, caranguejos, galinhas e porcos, que sentem. A exceção, se existir, confirma a regra.
Para crianças
Alguns animais, como ostras e mexilhões, são muito simples e talvez não sintam dor. Os cientistas ainda estão estudando isso. Mas, se a gente decide que só importa quem sente, então precisa cuidar de todos os que sentem, como peixes, polvos, galinhas e porcos.
"Se o que importa é se o animal sente, por que comer os que sentem?"
Como pode aparecer
"Ostras e mexilhões não sentem."
"Ostra não tem sistema nervoso central."
"Bivalves são quase plantas."
"Vegano que não come ostra não entende biologia."
"Bivalves provavelmente não são sencientes."
"Peixes e invertebrados não sentem dor." (que é A6)
A versão mais forte
"Ostra não tem sistema nervoso central. Bivalves são quase plantas."
Versão mais forte (steelman):
- P1Ostras e mexilhões não têm cérebro centralizado e têm sistemas nervosos muito simples.
- P2Sem esse tipo de sistema, é improvável que sejam sencientes.
- P3Se não são sencientes, comê-los não causa sofrimento.
- CLogo, comer ostras e mexilhões é aceitável.
P1 é verdadeira. P2 é plausível, mas incerta. P3 é verdadeira se P2 for. O ponto mais importante é que o argumento aceita a senciência como critério.
O argumento é válido e talvez sólido para bivalves. Mas ele não serve para defender o consumo de animais que sentem, e a incerteza sobre P2 é uma razão para cautela.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento aceita o critério da senciência, e isso tem consequências:
Animal Evidência de senciência O que o critério implica Mamíferos e aves Forte Não comer Peixes Forte e crescente Não comer Polvos e caranguejos Forte, reconhecida até em lei no Reino Unido Não comer Ostras e mexilhões Fraca e incerta Talvez seja aceitável; cautela recomendada - b
Onde o argumento quebra
1. Ele confirma o critério.
Se o problema é a falta de senciência, a senciência é o que importa. É exatamente o critério do veganismo e da ética animal.
2. A exceção não se estende.
Polvos, lulas, caranguejos e lagostas têm evidências fortes de senciência. Em 2021, um relatório da London School of Economics recomendou tratá-los como sencientes, e o Reino Unido os incluiu na sua lei de senciência animal em 2022.
3. A incerteza pede cautela.
Bivalves têm gânglios nervosos e reagem a estímulos. A ausência de evidência forte não é evidência forte de ausência. Na dúvida, o custo de não comer é muito pequeno.
4. A exceção não cobre o resto do prato.
Há quem coma só bivalves por esse motivo, mas, na maioria das vezes, o argumento vem de quem come muitos outros animais, para os quais ele não vale.
5. A pesca e o cultivo de bivalves também têm efeitos.
A coleta e a produção podem afetar outros animais e ecossistemas, o que deve ser considerado.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Birch et al., LSE, 2021 Revisou mais de 300 estudos e recomendou tratar cefalópodes e crustáceos decápodes como sencientes Não trata de bivalves Reino Unido, Animal Welfare (Sentience) Act 2022 Inclui cefalópodes e crustáceos decápodes entre os animais sencientes Lei britânica Declaração de Nova York sobre a Consciência Animal (2024) Reconhece uma possibilidade realista de consciência em muitos invertebrados Assinada por centenas de pesquisadores - d
A melhor réplica: o veganismo deveria então aceitar bivalves
A versão mais séria diz que, se bivalves provavelmente não sentem, o veganismo deveria aceitá-los, e que recusá-los mostra que o movimento é dogmático.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Há defensores dos animais que os aceitam.
Alguns filósofos e ativistas consideram o consumo de bivalves aceitável. O debate é honesto e aberto.
A cautela não é dogma.
Diante da incerteza, preferir não arriscar é uma posição razoável.
Nada muda para os outros animais.
Aceitar ou não bivalves não afeta a conclusão sobre os animais que sentem.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Generalização do acidente
Epistemológico
A evidência sustenta?
Ausência de evidência tomada como evidência de ausência
Moral
O critério é coerente?
Critério usado só onde convém
Vieses
Raciocínio motivado
O caso favorável é lembrado; os desfavoráveis, esquecidos
Literatura geral sobre cognição motivada
Extrapolações
O princípio testado é: "se um animal não sente, comê-lo não é errado".
Se valesse para…Ostras e mexilhõesToque para ver
Talvez aceitável
Com cautela pela incerteza
Se valesse para…Polvos e caranguejosToque para ver
Não aceitável, porque sentem
Reconhecido por lei no Reino Unido
Se valesse para…Peixes, aves e mamíferosToque para ver
Não aceitável, porque sentem
O princípio condena quase todo o consumo
Contradições
E come animais claramente sencientes.
O argumento não descreve o próprio consumo.
Na medicina, na segurança, no meio ambiente.
O que o argumento acerta
O que é verdade
O argumento acerta em boa parte. Bivalves são casos genuinamente difíceis, a ciência sobre eles é incerta, e há defensores dos animais que admitem que talvez não sintam. Reconhecer isso é sinal de honestidade e mostra que o veganismo se baseia em critérios, e não em dogmas.
Mas
E é justamente esse critério que decide o resto. Quem aceita que o que importa é sentir já tem a resposta para todos os outros animais que estão no prato.
Conexões
Costuma vir antes
Costuma vir depois
Aprofunde no Questão de Ética
Capítulos da coleção Uma Jornada pela Ética Animal, em acesso aberto, que discutem este argumento com mais detalhe:
- Incerteza sobre senciência e benefício da dúvida Vol. II, cap. 13