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"Minha religião aprova o consumo de animais"
permitir não é obrigar. Muitas religiões permitem comer animais, mas nenhuma das grandes tradições obriga a fazê-lo, e quase todas proíbem o sofrimento desnecessário. O Catecismo da Igreja Católica diz que é contrário à dignidade humana fazer os animais sofrerem inutilmente; o judaísmo tem o mandamento de não causar sofrimento desnecessário aos animais (tza'ar ba'alei chayim); a tradição islâmica exige afiar a lâmina para poupar o animal. E há correntes vegetarianas dentro de várias religiões. A pecuária industrial dificilmente passaria nesses próprios critérios.
Resposta curta
Permitir não é obrigar. Sua religião permite comer animais, mas não obriga ninguém a comer. E a maioria das religiões também proíbe o sofrimento desnecessário: o Catecismo católico diz que é contrário à dignidade humana fazer os animais sofrerem inutilmente. Hoje, o sofrimento dos animais nas fazendas é, quase todo, desnecessário. Muitos religiosos, de várias tradições, escolhem não comer animais justamente por causa da fé.
Para crianças
Muitas religiões dizem que é permitido comer animais. Mas quase todas também dizem que não se deve fazer os animais sofrerem à toa. Hoje, muitos animais sofrem muito nas fazendas. Algumas pessoas religiosas acham que o jeito mais bonito de seguir a fé é não comer animais.
"Sua religião aprova fazer os animais sofrerem quando isso pode ser evitado?"
Como pode aparecer
"Minha religião permite."
"Se Deus não quisesse que a gente comesse, não teria feito os animais de carne."
"Na minha religião, o animal é sacrificado com respeito."
"Veganismo vai contra a Bíblia."
"Deus nos deu domínio sobre os animais." (que é D4)
"Jesus comeu peixe." (que é D5)
A versão mais forte
"Minha religião permite comer carne. Se Deus permitiu, não tem nada de errado."
Versão mais forte (steelman):
- P1Minha religião é uma fonte confiável sobre o que é certo e errado.
- P2Minha religião permite comer animais.
- P3O que é permitido por uma fonte confiável não é errado.
- CLogo, comer animais não é errado.
P2 é verdadeira para muitas religiões. O problema está em duas coisas: as mesmas religiões que permitem comer animais também impõem limites, como não causar sofrimento desnecessário, que a produção atual dificilmente cumpre. E P1, sendo uma premissa de fé, não pode ser exigida de quem não a compartilha.
O argumento é válido. A solidez falha porque a permissão vem acompanhada de condições, e a premissa P1 vale só para quem tem a mesma fé.
Resposta completa
- a
Reconstrução e diagnóstico
O argumento lê uma permissão como se fosse um aval sem condições:
O que a tradição diz O que o argumento conclui O que a tradição também diz É permitido comer animais Qualquer forma de produção é aceitável É proibido o sofrimento desnecessário O ser humano pode se servir dos animais Os animais não importam Os animais são criaturas de Deus e devem ser respeitados - b
Onde o argumento quebra
1. Permissão não é obrigação.
Uma religião que permite comer animais também permite não comer. Escolher não comer não contraria nenhuma das grandes tradições.
2. As próprias tradições proíbem o sofrimento desnecessário.
O Catecismo da Igreja Católica afirma que é legítimo servir-se dos animais para alimentação, mas que é contrário à dignidade humana fazê-los sofrer inutilmente (§2417–2418). No judaísmo, o tza'ar ba'alei chayim é o mandamento que proíbe causar sofrimento desnecessário aos animais, considerado de origem bíblica e rabínica. Na tradição islâmica, quem abate deve afiar a lâmina para poupar o animal, e uma narração atribuída a Maomé diz que há recompensa por fazer o bem a qualquer ser vivo.
3. A produção atual dificilmente cumpre esses critérios.
Confinamento extremo, mutilações sem anestesia, seleção genética que causa dor e abates em ritmo industrial. Se o sofrimento que pode ser evitado é inútil, e quase todo ele pode ser evitado, as próprias tradições têm razões para rejeitar a maior parte dessa produção.
4. Há correntes vegetarianas dentro de várias religiões.
O jainismo tem a não violência (ahimsa) contra todos os seres vivos como princípio central. Muitos hindus são vegetarianos. Os adventistas do sétimo dia recomendam a dieta vegetariana, e muitos a seguem. Alguns sutras budistas mahayana condenam comer carne, e boa parte dos monges e leigos mahayana é vegetariana. Há também cristãos, judeus e muçulmanos vegetarianos e veganos.
5. Argumentos públicos precisam de razões que todos possam avaliar.
Para quem tem a mesma fé, a tradição é uma razão. Para quem não tem, não é. Por isso, numa conversa entre pessoas de crenças diferentes, a questão precisa ser discutida também em termos que todos aceitem, como o sofrimento dos animais.
- c
Dados e fontes
Fonte O que diz Observação Catecismo da Igreja Católica, §2415–2418 É legítimo usar os animais para alimentação, mas é contrário à dignidade humana fazê-los sofrer inutilmente e dispor indiscriminadamente das suas vidas Texto oficial no site do Vaticano Tza'ar ba'alei chayim Mandamento judaico que proíbe causar sofrimento desnecessário aos animais; o Talmude o deriva de Êxodo 23:5 Em inglês Animals in Islam Muçulmanos devem afiar a lâmina para que o animal não sinta dor; há recompensa por fazer o bem a qualquer ser vivo Em inglês Ahimsa A não violência contra todos os seres vivos é virtude central no jainismo, no hinduísmo e no budismo Buddhist vegetarianism Sutras mahayana, como o Laṅkāvatāra, condenam comer carne; monges theravada aceitam carne oferecida, salvo se o animal foi morto para eles Em inglês; mostra as diferenças entre correntes Adventist Health Studies Estudos de saúde com adventistas, entre eles vegetarianos e veganos Em inglês - d
A melhor réplica: o sacrifício e o consumo de animais estão no centro da minha tradição
A versão mais séria diz: em algumas tradições, o abate ritual e o consumo de animais em datas sagradas são parte da prática religiosa, e não só uma permissão. Pedir que deixem de existir é pedir que a fé mude.
- e
Por que a réplica não chega à conclusão
Mesmo nesses casos, o consumo ritual é uma parte pequena.
Ele não justifica o consumo diário de produtos de origem animal, que é a maior parte.
As tradições mudam.
Em várias religiões, práticas antigas, como os sacrifícios de animais em templos, deixaram de existir sem que a fé acabasse. Dentro de cada tradição, há debates sobre como aplicar seus princípios hoje.
A tradição não decide sozinha para quem não a compartilha.
O animal que sofre não pertence à religião de quem o come. O sofrimento dele precisa ser levado em conta por razões que valem para todos.
Erros de raciocínio
Lógico
A forma é válida?
Confusão entre permitir e obrigar
Leitura seletiva
Moral
O critério é coerente?
Apelo à autoridade fora do seu alcance
Vieses
Extrapolações
O princípio testado é: "se a minha religião permite algo, não há o que discutir".
Se valesse para…EscravidãoToque para ver
Textos religiosos foram usados para justificá-la
As próprias religiões hoje a condenam
Se valesse para…Rodeios e brigas de animaisToque para ver
Seriam aceitáveis se alguma tradição permitisse
A permissão não encerra a questão
Se valesse para…Religiões diferentesToque para ver
Cada um poderia justificar práticas opostas
Não há como decidir entre elas sem razões comuns
Contradições
Mas o consumo apoia uma produção cheia dele.
Mas não nas que pedem cuidado com os animais.
O que mostra que a religião não obriga a comer.
O que o argumento acerta
O que é verdade
Acerta que muitas religiões permitem comer animais, que a fé é importante para quem a tem e que deve ser respeitada. Também acerta que veganos às vezes tratam a religião com desdém, o que só afasta.
Mas
Mas permitir não é obrigar, e as mesmas tradições que permitem pedem que os animais não sofram sem necessidade. Muitos religiosos, de várias fés, chegam ao vegetarianismo e ao veganismo justamente pela própria religião.
Conexões
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