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Início / N. Ex-veganos: por que desisti / Parte IND

N3

"Ser vegano me limitava comer na casa dos meus familiares"

A resposta em uma frase

o desconforto de comer na casa da família é um dos custos mais reais do veganismo, porque mexe com afeto, tradição e pertencimento. Mas ele tem soluções conhecidas: levar um prato para dividir, conversar antes, comer o que for vegano na mesa. Na pesquisa da Faunalytics, questões sociais foram citadas por 13% dos ex-vegetarianos e ex-veganos como motivo para desistir, e 63% não gostavam de se destacar. Um constrangimento à mesa, por mais real, não pesa mais que a vida de um animal.

Resposta curta

Esse é um dos custos mais reais, porque envolve afeto, e não só comida. Mas há saídas: avisar antes, levar um prato para todos e comer o que já é vegano na mesa, como arroz, feijão e salada. Muitas famílias se adaptam com o tempo, sobretudo quando percebem que a pessoa não está rejeitando ninguém. O desconforto de algumas refeições não pesa mais que a vida dos animais.

Para crianças

Na casa da avó, a comida é um jeito de mostrar carinho. Quem não come carne pode levar um prato gostoso para todo mundo provar, e explicar com carinho que não come animais porque eles sentem dor. Assim, a família continua junta, e ninguém precisa machucar um animal.

Devolva com uma pergunta

"Se você levasse um prato para dividir, a sua família recusaria?"

Como pode aparecer

"Na casa da minha avó, não tinha o que comer."
Conversa cotidiana
"Minha mãe ficava magoada quando eu recusava a comida."
Conversa cotidiana
"No Natal, eu era o problema da família."
Conversa cotidiana
"O veganismo me afastou da minha família."
Redes sociais
"O churrasco une a família." (que é D8)
Versão de tradição
"Comer fora, viajar e festas ficam inviáveis." (que é J13)
Versão de praticidade

A versão mais forte

Como se diz

"Ser vegano me limitava. Toda vez que ia na casa da minha mãe ou da minha avó, era um problema. Elas ficavam chateadas, e eu não comia quase nada."

Versão mais forte (steelman):

  1. P1A comida compartilhada é parte importante dos laços familiares.
  2. P2Recusar a comida da família causa mágoa e afastamento.
  3. P3Os laços familiares são um bem importante, que vale proteger.
  4. CLogo, é razoável deixar o veganismo para preservar a convivência com a família.

P1, P2 e P3 têm muito de verdadeiro. O problema está na conclusão: ela supõe que só há duas saídas, recusar tudo ou comer tudo, e que o bem dos laços familiares pesa mais que a vida dos animais servidos.

O argumento é válido, mas não é sólido: há outras formas de preservar a convivência, e o custo para os animais fica fora da conta.

Resposta completa

  1. a

    Reconstrução e diagnóstico

    O argumento imagina só dois caminhos, quando há vários:

    CaminhoEfeito na famíliaEfeito nos animais
    Recusar tudo, sem conversaMágoaPoupa animais
    Comer tudo para não magoarNenhum conflitoNão poupa
    Conversar antes e levar um pratoPouco ou nenhum conflitoPoupa animais
    Comer o que for vegano na mesaPouco conflitoPoupa animais
  2. b

    Onde o argumento quebra

    1. A recusa é da comida, e não da pessoa.

    Boa parte da mágoa vem de a família sentir que o afeto foi recusado. Explicar com calma, elogiar o que se come e agradecer o convite muda muito a conversa.

    2. Levar um prato muda a dinâmica.

    Em vez de chegar com uma restrição, a pessoa chega com uma contribuição. Muitas famílias passam a provar e até a pedir a receita.

    3. A mesa brasileira já tem muito que é vegano.

    Arroz, feijão sem carne, farofa, salada, legumes, frutas. Em muitos casos, basta pedir que uma parte do feijão seja separada antes de entrar o bacon.

    4. Outras restrições já são respeitadas.

    Famílias se adaptam a parentes com diabetes, alergias, doença celíaca ou restrições religiosas. A adaptação ao veganismo é do mesmo tipo.

    5. O custo social é real, mas costuma diminuir.

    Com o tempo, a família se acostuma, e a pessoa também aprende o que fazer. Na pesquisa da Faunalytics, 34% dos ex-vegetarianos e ex-veganos desistiram nos três primeiros meses, justamente quando essas situações ainda são novas.

  3. c

    Dados e fontes

    FonteO que dizObservação
    Faunalytics, 2014Questões sociais foram motivo de desistência para 13%; 63% não gostavam de se destacar; 34% desistiram em até três mesesPesquisa feita em 2014 nos Estados Unidos
    MacInnis e Hodson, 2017Omnívoros avaliaram vegetarianos e veganos de forma igual ou mais negativa que vários grupos que costumam ser alvo de preconceitoAjuda a entender por que a pressão é forte
  4. d

    A melhor réplica: a família é mais importante que uma escolha alimentar

    A versão mais séria diz: os laços familiares são um dos bens mais importantes da vida. Uma escolha alimentar não deveria custar a relação com a mãe ou com a avó.

  5. e

    Por que a réplica não chega à conclusão

    Raramente é preciso escolher.

    Quase sempre há como manter a convivência sem comer animais. A escolha entre família e veganismo costuma ser uma falsa escolha.

    Não é só uma escolha alimentar.

    Há outros afetados: os animais. A comparação justa não é entre a família e um gosto, e sim entre o conforto de algumas refeições e a vida de animais.

    Ceder em tudo não protege a família.

    Relações fortes aguentam diferenças. Esconder as próprias convicções para evitar conflito também tem custo.

  6. f

    De volta à questão moral

    Mesmo que comer na casa da família ficasse mais difícil, a pergunta continuaria a mesma: é justo fazer animais sofrerem e morrerem para evitar um desconforto à mesa? O afeto da família é real, e pode ser mantido sem isso.

Erros de raciocínio

Lógico

A forma é válida?

Falsa dicotomia
Ou se recusa tudo, ou se come tudo

Moral

O critério é coerente?

Esquecer o afetado
Pesa o conforto da mesa, e não a vida do animal
Confusão entre afeto e comida
Trata recusar a carne como recusar a pessoa

Vieses

Conformidade social

Voltar ao padrão alivia a tensão

Faunalytics, 2014

Preconceito contra veganos

A pressão sobre quem é diferente é forte

MacInnis e Hodson, 2017

Viés do status quo

O cardápio de sempre parece insubstituível

Samuelson e Zeckhauser, 1988

Extrapolações

O princípio testado é: "para preservar a convivência familiar, vale abrir mão de uma convicção moral".

Se valesse para…Família que faz piadas racistasToque para ver

Seria preciso rir junto para não criar conflito

Inaceitável

Se valesse para…Família que bebe e dirigeToque para ver

Seria preciso entrar no carro

Inaceitável

Se valesse para…Restrição religiosaToque para ver

A pessoa deveria comer o que a religião proíbe

Ninguém pede isso

Contradições

A família se adapta a outras restrições.

Diabetes, alergias, religião.

A própria pessoa achava que os animais importavam.

Tanto que se tornou vegana.

Diz que a família é o mais importante.

Mas aceita a ideia de que a família não toleraria uma diferença.

O que o argumento acerta

O que é verdade

Acerta que a comida é parte do afeto, que a recusa pode magoar e que os laços familiares importam muito. Também acerta que muitos veganos não sabem lidar com essas situações e acabam criando conflitos desnecessários.

Mas

Mas o problema tem solução: conversa, um prato para dividir e paciência. A boa resposta a quem passou por isso é compartilhar estratégias, e não julgar.

Conexões

Costuma vir antes

D8 O churrasco une a famíliaA comida é vista como o que une a família
N3este argumento

Costuma vir depois

J13 Comer fora, viajar e festas ficam inviáveisO custo social passa da família para a vida em geral
N4 Ser vegano é difícil para quem viaja muitoA mesma dificuldade, fora de casa
D6 Todo mundo comeA pressão da maioria vira argumento

Referências